Publicado por: Eder & Fabi Rezende | 15/03/2011

Os desertos da minha vida – Saara – Parte II

Andando de dromedário no Saara

Passados noventa dias da nossa saída do Brasil, estávamos em Douz uma pequena vila na Tunísia as portas do Deserto do Saara. Neste momento, já estávamos bem mais aclimatados ao abismo cultural e de costumes que enfrentamos na chegada ao primeiro país árabe de nossas vidas.

A sensação de deja vu estava no ar. Afinal, há exatos três anos e nove meses, tivemos nossa primeira experiência “amorosa” com este tipo de paisagem, também partindo de uma pequena vila as portas do deserto do Atacama. As coincidências não parariam por aí. O encantamento da primeira vez ainda povoava nossos sonhos, afinal a primeira vez a gente nunca esquece, mas a certeza de que uma nova paixão nasceria era visível pela nossa ansiedade em encontrar o lar dos beduínos.

Chegamos a Douz num fim de tarde de domingo, após mais de quatro horas sentados em um louage apesar da distância percorrida ser de só 126 quilômetros. Aqui vale um parêntese, louage é o transporte mais popular da Tunísia. Em toda localidade existe uma estação de louage, onde uma pessoa fica aos berros anunciando o destino da van. Você paga a passagem, não sem antes gastar todo seu francês (eles não falam inglês por lá), senta em um dos bancos e reza. Se tiver sorte, a van estará lotada em poucos minutos e pronta para partir; caso seu destino seja pouco procurado você pode esperar por horas.

Louage – Transporte comum na Tunísia

Como a vila é pequena, a busca por hospedagem foi rápida. Decidimos ficar no hotel 20 Mars. Era limpo (característica pouco usual para os hotéis do país) e com preço justo (20 dinars tunisianos, cerca de R$ 25). Foi lá mesmo que acertamos os detalhes do nosso tão esperado encontro “amoroso”: um por do sol romântico no dia seguinte intermediado pelo agente de turismo do hotel.

No dia seguinte dormimos até mais tarde, pois estávamos bem cansados após dez dias incessantes pela Tunísia. Às 14 horas nossas mãos já suavam na ansiedade de chegar mais perto do nosso objeto de desejo, não sem antes conhecer nossas companheiras de viagem, duas japonesas, uma delas vivia por lá e falava árabe.

Logo na partida a primeira surpresa (outra coincidência, pois também tivemos surpresas no Atacama), nossos guias não eram os beduínos que povoavam as histórias de minha infância, mas os berberes. Também um povo nômade do deserto, mas mais parecidos aos temidos Tuaregues. Passamos a primeira hora e meia apreciando a beleza do Saara do topo da corcova de um dromedário. As sombras das pernas dos dromedários (que andam em zigue zague para desviar do topo das dunas) cada vez mais longas à medida que o sol caia era o cenário de cinema que sempre imaginamos. Chegamos ao acampamento a tempo de fotografar um lindo por do sol.

Por do sol no Saara

Fabi, Eder e nosso guia berber

Pernas dos dromedários cada vez mais longas

Quando já estávamos mais do que satisfeitos com a íntima relação criada já no primeiro encontro, ainda tivemos mais mimos de nosso novo affair. Primeiro um jantar a luz de velas, melhor dizendo a luz de fogueira, com cuscuz tunisiano (bem diferente do nosso cuscuz) como prato principal e para fechar a noite uma balada no deserto com música berber mesclada com Timbalada do nosso Ipod.

Balada no deserto

No dia seguinte despertamos cedo já com um sentimento de tristeza pela despedida, não sem antes passar por uma experiência gastronômica um tanto inusitada e exótica. Para café da manhã tivemos pães frescos à moda berber, preparados na hora. Ingredientes para a massa: somente água e farinha. Calma, sei que devem estar se perguntando qual a novidade até agora. Já pararam para pensar onde este pão seria assado. Nem idéia? Pois é, nós também não.

Nosso guia acendeu uma fogueira na areia do deserto. Quando o fogo se extinguiu ele fez um buraco na areia e adivinha onde foi parar a massa de pão. Exatamente onde vocês pensaram. O forno para assar o pão era um buraco coberto com a própria areia quente. Por incrível que pareça a massa não ficou crua e a quantidade de areia que ingerimos foi muito menor do que se pode imaginar.

Pão quentinho saindo do forno

De volta a Douz, nosso sentimento era uma mistura de saudade do Saara com ansiedade para descobrir os mistérios do próximo deserto a ser desbravado, Sossusvlei na Namíbia. Mas isso é assunto para a parte III da série Desertos da minha vida.

Você conhece algum deserto? Já foi para o Saara? Deixe sua resposta, comentário, pergunta ou dúvida.

Veja Também:

Os desertos da minha vida – Atacama – Parte I

Os desertos da minha vida – Sossusvlei – Parte III

Tunísia: Uma visão do país antes da revolução que derrubou a ditadura de Ben Ali

Lugares Únicos no Mundo – Ksares de Tataouine – Tunísia


Responses

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  3. Desertos são lindos! Grande aventura! Saudações!

    • Olá Evandro
      como mencionei no post, são minhas paisagens favoritas. Lugares incríveis. Te recomendo dar uma olhada também no post do Deserto do Atacama.
      Em breve publicaremos o último post da série de desertos, como o Deserto de Sossusvlei na Namíbia.

      Continue nos acompanhando
      abraços
      Quatro Cantos do Mundo

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