Publicado por: Eder & Fabi Rezende | 19/04/2011

Os sentimentos que experimentamos durante nossa viagem de volta ao mundo

Tivemos inúmeras razões para largar tudo e empreender nossa epopéia ao redor do globo, mas não tínhamos a mínima idéia dos sentimentos que experimentaríamos durante esta viagem.

Descrever sentimentos é uma tarefa árdua até para poetas da estirpe de Drummond e Neruda, mas nós mortais engenheiros que se perdem com facilidade quando as letras tomam o lugar dos números vamos tentar expressar o que sentimos durante a melhor época de nossas vidas.

Categoricamente podemos afirmar que a sensação mais marcante que experimentamos foi a de liberdade. Estar livre dos compromissos que te prenderam durante toda sua vida é uma sensação indescritível. Poder acordar cedo ou tarde a seu bel prazer, deixar de ir a festa de aniversário do seu cunhado chato sem ser mal visto na família, não receber ligações de seu chefe de trabalho em horários inconvenientes (aliás, só a ausência do telefone celular já fez meus poucos cabelos brancos voltarem a cor natural) são alguns exemplos do que chamamos de liberdade total. Devemos confessar que acordar as 4 da manhã para tomar um ônibus no interior de Moçambique é muito melhor que despertar as 7 para sair para o trabalho. Sentimento que jamais pensamos existir e que estará para sempre em nossa memória, principalmente agora que estamos novamente enredados em compromissos e horários como moscas presas na teia de uma aranha.

Outro sentimento sui generis que vivenciamos foi o friozinho na barriga a cada mudança de país. À medida que a fronteira ou o aeroporto se aproximava, sentíamos aquele frisson gostoso que artistas experimentam antes da estréia de uma peça teatral ou jogadores de futebol antes da final do campeonato. Alguns devem estar se perguntando o “porque” desta sensação. É a apreensão diante do novo, do desconhecido de novos costumes e culturas, das surpresas que nos reserva o destino. É incrível perceber que como membros da mesma espécie, nós, seres humanos, podemos ter comportamentos tão distintos. Das diferenças menos espantosas como: carregar uma baguete de pão em baixo do braço na França ou com a mão sem nenhuma embalagem na Espanha, dormir sem tomar banho apesar de ter passado todo o dia sob um sol escaldante (hábito comum a todos europeus que conhecemos, eles só tomam banho de manhã) ou simplesmente tirar a sexta feira à tarde para curtir a vida (invenção austríaca que se repete todas as sextas feiras sem exceção).

Outros costumes nos deixaram bem mais perplexos e sem ação: cuspir no chão independente de onde esteja; pode ser o chão da rua, da sua casa ou do avião (hábito nada convencional para nós, mas bem difundido entre os chineses como vocês podem verificar pelo foto abaixo), ou usar a mão logo após o número 2 (é singular mesmo, pois só a mão esquerda pode ser usada para esta tarefa, coitado dos canhotos) e deixar o papel higiênico de lado como os marroquinos e tunisianos, ou comprar cobras vivas como se fossem frangos para se preparar uma sopa típica no Vietnam, ou tomar cerveja de café da manhã como presenciamos em nossa visita a Eslováquia. As diferenças de costumes são tantas nos mais diversos países que poderíamos ficar horas falando sobre este assunto, mas este post é sobre nossos sentimentos e não sobre diferenças culturais.

Não cuspir no elevador – Macau China

Cobras para uma deliciosa sopa vietnamita

Apesar do nosso cordão umbilical com a pátria ter sido cortado há muito tempo, por diversas vezes experimentamos o sentimento de banzo. Como todo sentimento é algo difícil de explicar, mas é algo relacionado a se sentir estrangeiro (estranho) 100% do tempo.  Uma sensação que ia e vinha de acordo com as dificuldades que enfrentávamos pelo caminho e que se manifestava em coisas simples como: na irritação de falar em uma língua estrangeira todo tempo, ou na simples vontade de comer um prato de arroz com feijão.

Esperando nosso prato de arroz com feijão

 Agora abrimos um parêntese para falar de um sentimento universal e não particularmente nosso. A felicidade que é tão procurada por todos. Durante a viagem acabamos por constatar o que já desconfiávamos ser verdade. Este sentimento não tem nenhuma relação com a riqueza e desenvolvimento das pessoas e seus países. Entre os povos mais felizes que encontramos estão dinamarqueses (19° no ranking mundial de IDH) e moçambicanos em situação totalmente oposta no mesmo ranking (165°, a frente apenas de 4 países), mas mesmo assim sempre sorrindo e super felizes com suas famílias de 11 ou 12 filhos. Já os gregos que são poucos amistosos, ocupam o 22° lugar no ranking de IDH, mas para nós são lanterninhas em termos de felicidade.

 

Crianças felizes em uma família de 12 irmãos - Vilanculo - Moçambique

Para finalizar esta profusão de sentimentos, a sensação que tínhamos de imensidão do planeta Terra antes de cairmos na estrada mudou radicalmente. Hoje nosso sentimento em relação ao nosso planetinha pode ser resumido em uma frase: A Terra não passa de uma pequena vila cheia de mistérios a serem desvendados. Para experimentar estes sentimentos maravilhosos e muitos outros é que recomendamos fortemente a todos pelo menos uma viagem deste tipo na vida.

Veja Também:

Tunísia: Uma visão do país antes da revolução que derrubou a ditadura de Ben Ali

Zanzibar paraíso na Terra

Dicas para planejar uma Viagem de Volta ao Mundo


Responses

  1. Imagina se fossem escritores ou poetas… Impossível não sentir um tiquinho da mesma emoção com esse relato🙂 (pq sei q sentimentos tão marcantes só podem ser experienciados individualmente!!)

    • Olá Camilla
      valeu pelo elogio, nos comparando a escritores ou poetas. Este tipo de mensagem que nos faz continuar escrevendo.
      Legal também que conseguimos passar um pouco de nossas emoções.

      Continue nos acompanhando
      bjs

  2. Eu ainda não dei uma volta ao mundo (um dia ainda darei), mas sempre que posso dou uma viajadinha!
    Me reconheci tanto no texto de vocês: o friozinho na barriga ao sair de uma estação de Metro em um país novo!!! E a vontade de falar e ouvir português o tempo todo, depois de um tempo!!!
    Amei o texto, o blog é maravilhoso!!!!
    Lia

    • Oi Lia,
      que incrível saber que outras pessoas sentem o mesmo que sentimos. É mais ou menos como você dizer que somos normais ou que não somos tão diferentes quanto a maioria insiste em dizer.
      em breve teremos outros posts sobre nossa volta ao mundo que esperamos te inspire para fazer a sua, continue nos seguindo.

      abs

  3. Com um texto dessa qualidade, imagino como seria se fossem escritores… quem sabe não vem um livro por aí… contanto a aventura!!!

    • Bom dia Sandro,
      que bom que você gostou do texto. Temos sim a intensão de escrever um livro ou das aventuras ou uma compilação de nossos posts. Quem sabe um dia encontramos alguém que queira publicá-lo. Se você conhecer alguém que tenha interesse é só nos avisar.

      abs

  4. O que vocês realizaram é para poucos! Soltar as amarras do tempo, dos lugares e com as pessoas é tarefa bastante difícil. Suas experiências são de muito valor. Por hora contento-me com as escapulidas periódicas e o sonho com uma viagem como a de vocês! Ótimo post! Abraços!

    • Olá Evandro,
      um dos nossos objetivos com o blog é mostrar a todos que somos pessoas como as outras e que como diria Obama: Yes we can. Todos nós podemos fazer uma viagem de volta ao mundo desde que um bom planejamento seja executado.
      Continue com seu sonho, temos certeza que um dia se tornará realidade.
      enquanto isso continue nos acompanhando

      abs

  5. Aos amigos Fabi e Eder
    Maravilhosa vossa descrição. Gratificante compartilhar conosco estas experiencias. Parabéns pela fluência e elegância da publicação.
    Abraço
    João Bezerra

    • Grande João
      ficamos super orgulhosos que uma pessoa super culta como você tenha gostado do texto.
      Estas são algumas das experiências que vivemos, das quais a maioria você já conhece de nossas conversas.

      Continue acompanhando o blog sempre que puder

      grande abraço

  6. É realmente fantástica a descrição de vocês, parabéns pelo texto que ficou muito, muito bom.

    Abçs
    Rodrigo

    • Olá Rodrigo,
      que bom que você gostou do texto. Este tipo de mensagem só nos incentiva ainda mais.
      Se você quiser pode se inscrever para receber mensagens do nosso blog sempre que fizermos alguma atualização.

      Continue nos acompanhando.

      Equipe Quatro Cantos do Mundo

  7. Fabi!
    Adorei mais este post! Sem dúvida cada vez mais vocês nos deixam com muita vontade de realizar esse sonho.
    Adoro as histórias, são muito bem escritas. Não tenho dúvida que foi uma experiência incrível e inesquecível.
    Beijos,
    Renata Haenel


    • Realmente a viagem foi maravilhosa!!! Um experiência de vida única.
      Não passa vontade de realizar o sonho de fazer uma viagem de Volta ao Mundo, é só colocar uma data e começar a fazer o planejamento…
      Um beijão, Fabi

  8. Emoções perfeitamente descritas em palavras…
    É necessário muita sensibilidade para tal…
    Parabéns!!!

    • Angélica,

      Obrigado por suas palavras tão belas.
      Continue acompanhando nosso blog e venha participar de um de nossos próximos encontros.

      Abraços,

      Quatro Cantos do Mundo

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  10. Amigos, estou emocionado com essas palavras. Como já falei para vcs, essa conquista de desbravar o mundo é algo muito presente na minha vida e sentir isso logo🙂 Sou fã de vcs de carteirinha, principalmente pela grande simplicidade estampada nos rostos de vcs. Sucesso sempre e continuem escrevendo lindos post como esse.

    • Titio Júnior, rsrsrs.
      apesar de termos passado apenas algumas horas juntos no último encontro, sentirmos que você tem uma ótima energia e é gente do bem. Além disso você é um viajante do nosso tipo. Viajante que experimenta, pergunta, conversa, interage, fica em abergue e nunca foge de uma aventura.

      Pena você não poder estar presente no próximo encontro.
      Que seu sonho de rodar o mundo se realize em breve. Vai ser inesquecível e temos certeza que você experimentará sentimentos diversos como nós.

      grande abraço

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  15. Muito bom o texto Eder e Fabi.
    Começamos nossa volta ao mundo a quase im mês e já estamos tendo os mesmos sentimentos.
    Abraços

    • Ola Rafael e MP

      vocês estão apenas no começo de um turbilhão de sentimentos que vai mudar suas vidas.

      Aproveitem ao máximo

      Eder

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  25. O blog de vocês me faz sonhar cada vez mais.
    Não vejo como viver (e morrer ) sem conhecer. Conhecer mais lugares, mais pessoas, mais historias, mais natureza.

    • Ola Kelcy
      ficamos felizes de inspirar pessoas. Se aventure pelo mundo e descubra lugares, pessoas, histórias e principalmente seja feliz.

      bjs

      Eder

  26. […] Para nós, viajar é mergulhar de cabeça numa experiência única e celulares, lap tops, tablets e qualquer outro equipamento que faça conexão com o mundo real é item proibido em nossa bagagem. É como ir para um retiro espiritual, desligar de sua vida cotidiana. Foco total no país e sua cultura e assim não temos tempo, nem vontade de acessar as redes sociais ou telefonar para alguém. Nada contra, mas para nós é difícil entender como pessoas e blogueiros conseguem curtir um destino postando fotos o tempo todo no Facebook, Twitter e demais. Até já escrevemos um post sobre a maravilhosa sensação de viver off line. […]

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