Publicado por: Carol & Paulo Mendes | 08/05/2011

10º Encontro: Bangladesh e o Grameen Bank

Mulheres pagando empréstimo no Grameen Bank (foto de Karen Tanaka)

No 10º Encontro dos Viajantes discutimos sobre um país inóspito e pouco turístico: o Bangladesh. Quem nos apresentou esse formidável país foi Karen Tanaka, consultora em sustentabilidade e fotógrafa amadora. Apesar da pouca idade, Karen já tem muitas histórias para contar. Nascida em Mato Grosso, morou na Islandia e no Japão, fala 5 idiomas, visitou diversos países pelo mundo, fez muitas amizades pelo caminho e o que mais valoriza é o aprendizado que o contato humano proporciona.

Karen começou sua apresentação nos mostrando os dados gerais do país e a sua situação econômica, política e social. Isso foi extremamente importante para entendermos o que estimulou Karen a viajar para um país que poucos visitam…

Num território equivalente ao estado do Ceará, o país abriga a 8ª população mundial, na qual 45% dessa população vive abaixo da linha da pobreza (72 milhões de pessoas) sendo que 48 milhões vivem com menos de US$ 1 por dia. A situação econômica do país ainda é agravada pelo enorme número de desastres naturais que ocorrem na região. Por ser uma enorme planície formada pelo delta do rio Ganges, conhecido localmente como Padma, e sofrer com o clima de monções, é normal que o país seja afetado por inundações, ciclones tropicais e tornados. Outro fato importante é que 90% das pessoas são mulçumanas, ou seja, a mulher tem um papel secundário na sociedade. Karen destacou que muitas famílias matam as meninas quando elas nascem pois preferem ter filhos homens. É muito caro ter filhas por causa do dote.

Colorida e Caótica rua de Bangladesh (foto de Karen Tanaka)

Neste contexto de pobreza e submissão da mulher que surge o Grameen Bank, um banco de microcrédito destinado principalmente às mulheres pobres. Em 1976, o professor de economia Muhammad Yunus resolve fazer uma experiência com o intuito de criar uma forma de quebrar o circulo de pobreza. Ele emprestou o equivalente a 27 dólares para 42 mulheres, permitindo que elas adquirissem matéria-prima para confeccionar seus artesanatos. Para sua surpresa os empréstimos foram pagos em dia. Desde então, o banco emprestou 9 bilhões de dólares a 9 milhões de clientes e está presente em 99% das vilas do país. Em 2006, a instituição e seu fundador ganharam o Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho realizado para erradicação da pobreza.

Sua experiência pelo Bangladesh começa no Japão, onde fazia mestrado em Cooperação Internacional. Lá, teve oportunidade de conhecer o trabalho do Grameen e encantada com a história do banco e como este havia mudado a vida das pessoas, resolveu participar de um programa de estágio para entender melhor seu funcionamento e seu sucesso. Para isso ficou 30 dias no país, visitou 4 agências do Grameen Bank no interior do país e 2 agências do Grameen Energia, empresa do grupo que promove e populariza tecnologias de energia renovável.

Neste período Karen vivenciou o dia-a-dia dessas agências e não pense que elas são como as nossas aqui do Brasil: com segurança na porta, funcionários bem vestidos e atendimento quase que totalmente eletrônico. As agências do Grameen ficam nas zonas rurais do país, são casas bem simples de alvenaria e chão de terra batida, onde os funcionários do banco dormem e comem. Ali também acontecem as reuniões dos grupos de mulheres tomadoras dos empréstimos. Nestas ocasiões, elas discutem o que fazer com o dinheiro, o andamento do negócio, justificam o porquê não conseguem pagar o empréstimo ou o porquê estão pagando adiantado. Todas opinam no empreendimento da outra, compartilham experiências e controlam o fluxo de pagamentos.

Mulheres em reunião no Grameen Bank (foto de Karen Tanaka)

Karen passou 4 dias numa dessas agências, perto da fronteira com a India. Nesta oportunidade acompanhou de perto todas as operações do banco e visitou a casa de várias clientes para conhecer melhor as suas histórias e entender como o Grameen influencia suas vidas. Como ela mesmo disse: “Cada conversa me ensinava uma grande lição”.

Suas melhores histórias vieram desse contato com o povo local. Ela nos contou como passou uma noite cantando e dançando com o pessoal da agência e ensinando samba a eles, da senhora que fazia artigos de juta para pagar o dote de suas 4 filhas, do funcionário do banco que sabe o nome de todas as suas clientes, seus familiares e até da vaca que foi comprada com o dinheiro do banco. Também ouviu conselhos do Sr. Shams, outro funcionário do banco, que dizia que os casamentos arranjados do Bangladesh sempre dão mais certo que os casamentos ocidentais, pois as escolhas feitas com emoção sempre são as piores alternativas… rs!

Mas sua experiência não se resumiu a conhecer o trabalho do banco, ela aproveitou o tempo para visitar o país, vivenciar as comemorações do Dia da Língua Mãe e a Feira do Livro e assistir a um jogo de Cricket. A língua é extramente importante para seu povo e toda sua história de indepência está ligada a luta pela preservação do seu idioma. Para começar, Bangladesh quer dizer país do bengali e o Dia Nacional da Língua Mãe é uma homenagem aos estudantes que foram mortos enquanto faziam um protesto em favor da sua língua.

Outra coisa que ela ficou impressionada foi com a feira do livro. Os bengaleses tem o hábito de ler bastante e ela disse que este dia as filas que se formavam para entrar na feira eram gigantescas. Você sabia que o 1º não europeu que ganhou o prêmio Nobel de Literatura foi um bengalês e que nenhum escritor brasileiro recebeu essa honra? Pois é, acho que temos muito que aprender com esse povo!

Banca de livro nas ruas de Bangladesh (foto de Karen Tanaka)

Como turista ela visitou os principais monumentos de Daca, capital do país, como: Old Dhaka, o Museu da Libertação Nacional, a Mesquita Estrela, o Pink Palace e o Memorial dos Mártires. Vistou regiões mais afastadas como o Srimangal, maior produtora de chá do país, o Parque Nacional de Lawachara, maior reserva natural do Bangladesh, Cox’s Bazar, a maior praia de areia do mundo e conhecida pela sua beleza e por seu incrível pôr-do-sol e por fim ela deu uma esticadinha até a Ilha de St. Martin, destino dos casais em Lua-de-Mel e que tem praias de areia clara, mar azul, coqueiros e corais.

Bom, é muita pretensão minha passar todas as histórias que Karen compartilhou com a gente. Foi realmente um tarde inesquecível, que aprendemos muito e que fez muita gente pensar em fazer um estágio no Grameen… E isso ele falou que é bastante fácil, se você tiver interesse entre no site: http://stg.grameensolutions.com/gbank/Training/Training/application/

Karen, muito obrigada!

Segue abaixo uma cópia dos slides que foram apresentados:

Veja Também:

9º Encontro: Roteiro de 3 semanas na Tailândia – Parte I – Bangkok

Os desertos da minha vida – Saara – Parte II

Marrakech – Os Encantos das Mil e Uma Noites


Responses

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  3. Que interessante! Fiquei super curiosa para saber mais sobre as viagens da Karla! Esses encontros devem ser mesmo muito especiais!

    Beijos

    @flavia_mariano

    • Flávia,

      Nossos encontros são muito legais. Já saíram as datas de 2012, vamos combinar de você vir a um de nossos encontros para assistir ou mesmo apresentar uma de suas viagens.

      Abs,

      Quatro Cantos do Mundo

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