Publicado por: Eder & Fabi Rezende | 16/08/2011

Siob Bazaar – A Disneylândia dos mochileiros


Nos divertindo em nossa Disneylandia

No post anterior falamos de mesquitas inesquecíveis, mausoléus riquíssimos, medressas cobertas de ouro, mas não citamos uma só palavra do que costumamos chamar de riqueza intangível de um local: seu povo, seus costumes, seus comportamentos e suas manias. Para vivenciar esta realidade nada melhor que o mercado de Samarkand, mais conhecido como Siob Bazaar, local onde fui pedido em casamento por uma uzbeque (para saber mais sobre este pedido ler em http://tinyurl.com/4xlz6y3).

Na entrada do mercado (para nós era a entrada, pois era o portão mais próximo do nosso albergue) estava o setor de frutas secas com: uvas passas negras e brancas, tâmaras e figos secos, nozes inteiras (incrível como eles tiram a casca sem quebrá-las, coisa que eu nunca consegui), pistaches, amêndoas, dates, tâmaras recheadas com nozes, tudo minuciosamente arranjado com um esmero digno dos orientais. O melhor exemplo deste esmero eram as bandejas que misturavam tudo isso parecendo um mosaico da mesquita Bibi-Khanym. É tão bonito que dá pena de comer.

Dá até pena de comer

Ao lado das frutas secas estão as barracas de torrone. Também dos mais variados tipos e sabores, um convite interminável a degustação. Por todas as partes podemos encontrar as bacias de amoras, do qual se extrai o mais puro suco de amoras (nunca tinha visto nada igual). Caminhando um pouco mais encontramos os temperos. Vocês se lembram das aulas de história quando ouvíamos muitas vezes o termo “especiarias das Índias?” Foi exatamente esta lembrança que me veio à cabeça ao ver tudo aquilo. Canela, cravo da Índia, cominho, açafrão, pimentas da mais variadas, curry, coentro, cardamomo, gengibre, noz moscada, mais uma dezena de temperos que eu já tinha visto, mas não lembrava o nome e uma centena que nunca tinha visto antes. Tudo isso realmente aromatizado, um turbilhão de odores se comparados aos temperos de vidrinhos comprados nos nossos mercados ocidentais. Quase esqueci, o chá de menta!!! O cheiro é tão bom que só preparamos chá uma vez desde que voltamos, preferimos apenas abrir o saco cheio de folhas e sentir o cheirinho que a partir de agora é sinônimo de memória olfativa do Uzbequistão.

Convite interminável a degustação

O verdadeiro suco de amora vem desta bacia

Relembrando as aulas de História

Procura por souvenirs típicos para seus amigos? Nosso amigo Jesus experimentou vários chapéus para livrar sua careca do sol inclemente, mas no final não levou nenhum, apesar de serem todos muito bonitos. Além destes, tem também as cerâmicas em forma de prato e de bonecos dos personagens típicos do país. Tudo que já tínhamos visto, tocado e experimentado até aquele momento fora uma experiência única, mas resolvemos adoçar ainda mais nosso dia, afinal era nossa despedida de Samarkand. Primeiro adoçamos a boca como favos de mel gigantes que mais pareciam pinturas em um museu, já que vinham emolduradas. Depois mais uma overdose para diabéticos: açúcar em forma de pepitas de pedras preciosas. Nunca tínhamos visto nada parecido. Para finalizar a sessão melaço passamos pelas barracas de iogurte. O que iogurte azedo do tipo coalhada tem haver com doce? Fomos adoçar o coraçãozinho de nosso amigo solteiro Jesus. As vendedoras destas barracas eram todas mulheres e uzbeques, assim o assunto só poderia enveredar para o tema matrimonio. Foi lá que como citei acima, eu mesmo caminhando sozinho e desavisado fui pedido em casamento. Pensei com meus botões, se eu consegui uma noiva sem fazer força, vamos levar o Jesus até lá, quem sabe, ele não sai casado do Uzbequistão. Brincadeiras à parte as mulheres foram muito hospitaleiras e nos divertimos um montão como vocês podem ver pelas fotos abaixo.

Jesus uzbeque?

Que favo de mel

Açúcar ou pedra preciosa?

Buscando uma noiva para Jesus

Isso tudo era só metade do Siob Bazaar. Local mágico, onde poderíamos ficar horas como madames que passeiam pelos shopping centers. Com o passo um pouco mais rápido chegamos às barracas de naftalinas comestíveis. Que país mais exótico devem estar pensando. Mas o que vocês pensariam ao se depararem com bolinhas brancas e duras dentro de saquinhos plásticos pequenos? Naftalina certo? Não no Uzbequistão. Era o típico queijo local, com saber bem forte de coalho, para mim uma delícia, já para o paladar espanhol de nossos amigos muito forte.

Naftalinas comestíveis

Acreditam que o repertório de comidas estranhas havia terminado. Nada disso. Sessão de pães. Pães redondos (obi-nan) recém saídos do forno, mais um aroma se entranhava em nossas narinas para sempre. O sabor? Maravilhoso. Casca crocante e brilhante e bem macio por dentro. Onde é que está a bizarrice deste negócio então? Para manter todo o brilho da casca eles literalmente lustram o pão como um sapato, aliás, para esta tarefa utilizam ao que parece o mesmo pano e cera que lustram os sapatos. Não recomendável para pessoas mais sensíveis, mas o que os olhos não vêem o estomago não sente. O pão era parte vital do nosso cardápio por lá.

Pães lustrados, só no Uzbequistão

Também parte essencial do nosso cardápio em viagens noturnas de trem pelo Uzbequistão estavam tomates e pepinos que podem ser encontrados na parte baixa do Bazaar. O país é pródigo em verduras, legumes e frutas. O melão, o mais doce do mundo tem casca amarelo esverdeada e formato alongado. Quando saímos do país pudemos comprovar o que ouvimos muitas vezes: este é o principal produto de exportação uzbeque. No aeroporto de Tashkent a todo momento melões rolavam pelo saguão de embarque após passarem pelo raio X e logo retornavam a mãos uzbeques para seguir se caminho ao exterior.

Novas descobertas, novos aromas, sabores, nada disso seria o mesmo sem a tal riqueza intangível. Nos sentimos em casa gargalhando com as mulheres nas barracas de iogurte buscando uma noiva para Jesus. Nos sentimos mais uzbeques perguntando os nomes dos filhos do vendedor da barraca de especiarias. Nos sentimos totalmente uzbeques ao pechinchar na compra de frutas e legumes. Eles se sentem mais brasileiros assistindo a novela “O Clone” e perguntando da Jade (personagem da trama). Nos sentimos turistas ao ver Jesus pagar para se pesar em uma balança velha no meio do mercado. Todos nos sentimos mais felizes neste momento, como crianças em um parque de diversões, afinal o Siob Bazaar pra gente é uma verdadeira Disneylândia.

Riqueza intangível do Uzbequistão

Programa de turista

Podíamos ficar horas escrevendo sobre o Siob Bazaar, mas achamos melhor te convidar para ter suas próprias sensações em uma viagem real ao Uzbequistão. Perguntas, dúvidas e dicas, é só nos escrever.

Veja Também:

As Excentricidades de uma ex-república soviética chamada Uzbequistão

Samarkand – Muito além de qualquer rótulo

Cooking Class – Culinária Tailandesa

Os sentimentos que experimentamos durante nossa viagem de volta ao mundo


Responses

  1. Eu “viajo” com esse blog! Muito bom!

    • Fala galera do WeRockTour,

      legal que vocês gostam do nosso blog. Estamos esperando vocês no próximo encontro. Também não nos esquecemos que vocês prometeram vir falar das Maldivas em um dos nossos encontros. Promessa é dívida. É só dizer a melhor data para vocês que nós agendamos.

      abraços
      Eder

  2. Simplesmente demais, mais uma vez! Parabéns!

    • Valeu Rafael
      acabei de voltar de uma viagem incrível ao Monte Roraima. Em breve mais um post super legal.

      Acompanhe a gente.
      abraços

      Eder

  3. Hummm, fiquei com vontade de tomar este suco de amora!!! Deve ser mesmo delicioso!

    Bjks

    • Oi Fê
      o Uzbequistão é um paraíso de sabores que vai muito além de nossas papilas gustativas, vale a pena experimentar todos eles. Estamos muito torcendo para que você apareça por lá em breve e prove pessoalmente.
      beijos

      Eder

  4. Excelente. Essas da degustação exóticas eu adorei. Pão engraxado é arretado. Ali´ás, tudo que está ai é muito legal. Vocês estão de parabéns. Abs e até breve.

    • Olá Walter
      cada mercado que visitamos deixou suas próprias lembranças, mas este foi mesmo um dos melhores. Além dos vários sabores exóticos, conhecemos muitas pessoas legais e muitas histórias interessantes.
      Se puder leia o último post sobre Moçambique, acho que vai gostar.

      grande abraço
      Eder

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  12. Ola! Ahei seus posts sobre o uzbequistao muito ricos em informação e divertidíssimos!!! Estou planejando uma viagem para o país esse ano e gostaria de saber se vcs foram com alguma empresa de turismo e em que estação foram? Obrigada!

    • Ola Carolina
      fomos em julho e estava bem quente. Talvez o outono ou primavera seja mais agradável.

      Não usamos nenhuma empresa de turismo. Fizemos tudo de trem e sem ajuda de empresas, tudo por conta própria

      abs

      Eder


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