Publicado por: Eder & Fabi Rezende | 04/04/2012

Síria, guerra civil e turismo – Quatro Cantos do Mundo explica

A Síria sempre esteve em nossos planos de viagem. Demos uma Volta no Mundo e por um motivo ou outro nunca chegamos a conhecê-la. O país como um todo parece encantador, mas a região de Homs onde estão localizados os castelos dos cruzados seria nosso primeiro destino. Esta região se tornou célebre nos idos de 1909 quando o jovem T.E. Lawrence empreendeu uma viagem exploratória de 1600 quilômetros a pé em baixo de um sol escaldante. Foi lá que ele encontrou o Castelo Krak, o mais bonito do mundo segundo relatos de seu livro Crusader Castles, lançado quando ele já era conhecido como Lawrence das Arábias. Atualmente o país vive uma guerra civil desencadeada por anos de opressão e fomentada pelo fenômeno da Primavera Árabe que já derrubou os ditadores: Ben Ali na Tunísia, Mubarak no Egito, Kadafi na Líbia e Saleh no Iêmen. Através de relatos e fotos de um amigo sírio que vive fora do país tentaremos mostrar o que está acontecendo na Síria neste momento e a luta dos novos cruzados (povo sírio) não para impor uma religião, mas por liberdade de expressão e direitos humanos. Ao mesmo tempo ficamos torcendo (é só o que podemos fazer neste momento) para um dia finalmente conhecermos os maravilhosos castelos em um ambiente de paz e democracia.

Castelo dos antigos cruzados

De cima para baixo: bandeira egípcia (regime derrubado), antiga bandeira síria e bandeira tunisiana (regime derrubado)

O país se tornou independente em 1946 e até 1970 passou por diversos golpes ou tentativas de golpes militares. Foi nesta data que assumiu o poder Hafez al-Assad e seu Partido Baath de orientação socialista e nacionalista. Hafez comandou o país por trinta longos anos com mão de ferro e quando finalmente morreu, deixou de herança a seu filho Bashar a cadeira de ditador e o título de dono do país. Neste período o país atuou como protagonista na região, seja na Guerra dos Seis Dias em 1967 ou na Guerra do Yom Kippur em 1973 ambas perdidas diante do poderoso Israel. Mais tarde, em 1978 invadiu o Líbano com a desculpa de proteger o país contra as investidas de Israel e conseguiu alimentar o ódio tanto de judeus israelitas quanto de muçulmanos libaneses.

A atual guerra civil começou com protestos pacíficos por liberdade de impressa e melhoria dos direitos humanos. Para se ter uma idéia a Síria viveu em estado de emergência desde 1962 até poucos dias atrás. O que suspendia direitos constitucionais e na prática dava direito ao Estado de fazer o que bem entender, incluindo prisões arbitrárias, repressão a manifestações, etc. No campo político o governo não tem oposição já que foi instituída a política de partido único, caindo todos os outros na clandestinidade.

Homs destruída

Parede como um queijo suíço

Ferros retorcidos foi o que sobrou da cidade

Nem escolas foram poupadas

Rebeldes se unem e vão a luta

sofrem muitas derrotas

mas não perdem a esperança

As manifestações foram duramente reprimidas e geraram além de centenas de mortes, um descontentamento ainda maior. Integrantes do exército que se recusaram a espancar e matar compatriotas foram perseguidos e engrossaram as fileiras do exército rebelde conhecido como Exército Livre Sírio. Sentindo que sua batata estava assando, Bashar al-Assad, mais conhecido pelo apelido de pato, anunciou reformas políticas dizendo que o governo atenderia as aspirações populares. A primeira medida foi o fim do estado de emergência após 48 anos, mas era tarde demais. Ele perdeu o bonde da História e o pato deve voar para longe da Síria antes do fim da Primavera (árabe) ou vai virar troféu de caça do novo governo como aconteceu com Kadafi.

O povo prevê um fim trágico para o pato (Assad): frito no KFC

Assad comparado ao pior dos inimigos: Israel

Apesar dos destroços de bombas contra civis continuarem caindo sobre as cabeças

a vida continua

Veja Também:

Tunísia: Uma visão do país antes da revolução que derrubou a ditadura de Ben Ali

Marrakech – Os Encantos das Mil e Uma Noites

Os desertos da minha vida – Saara – Parte II


Responses

  1. Meninos, não sei quem escreveu esse post, mas eu fiquei toda arrepiada!
    Objetivo e simples na forma de contextualizar os acontecimentos, mas por outro lado 100% comovente e conscientizador.
    Muito bom o texto e muito triste a história!
    Bjs
    Daniella Mendes

    • Olá Dani

      fui eu quem escreveu (Eder). Fico super feliz que tenha gostado.
      A história é triste e esperamos que tenha um fim logo como nos outros países com a queda de mais um ditador.

      bjs

      Eder

  2. Estive na Síria em 2010. Mesmo sem democracia, o país é lindo, com um potencial turístico imenso e o povo mais amável que já conheci. Tem me entristecido muito acompanhar o noticiário, mas sobra saber que, como se disse num certo filme, essa guerra um dia vai acabar.

    • Olá amigo magro hipopotámo

      nosso sonho em caminhar em terras sírias continua. Torcemos para que o pato voe o quanto antes para longe e o povo possa viver em paz.

      grande abraço

      Eder

  3. Esperemos que o povo sirio encontre a paz, assim como o resto do mundo… Particularmente gostaria de conhecer o Irã, e espero que algum dia haja paz para isto.

    • Olá Ernesto

      aproveita para ir logo enquanto a primavera árabe ainda está longe do Irã. Escutei de muitos viajantes que os iranianos são muito amáveis.

      um dia também quero passar por lá.

      abs

      Eder

  4. Oi Eder, muito legal o texto! Estivemos no Crac des Chevaliers em 2010 e nos encantamos com a Siria e seu povo. Muito triste o que está acontecendo por lá.
    Só uma correção, Chevaliers não significa castelo e sim cavaleiros. Crac que são os castelos.
    Sobre a questão politica adoraria sentar para um café, pois me interesso muito por esta parte também. O ocidente de certa forma fez vista grossa a esta ditadura, por ela ser considerada moderada em termos religiosos. Vizinhos de Israel, todos tem medo que um grupo radical assuma o poder. Pode ser que o “poder do povo”na Síria não seja bom para o Ocidente, mas seja bom para eles… Conflitante para quem diz que apoia a democracia! (só balela pois é fácil de citar ditaduras que foram apoiadas pelo Ocidente e democracias que foram derrubadas por eles).

    Ernesto, acredite, a paz no Irã é muito maior do que no Brasil (em termos de violência, perigo)! O único problema seria caso os EUA ou Israel atacassem, algo que acredito ser muito difícil de acontecer. Eu e minha mulher passamos um mês neste fantástico país, e já estamos preparando nossa volta!

    Grande Abraço

    • Olá pessoal
      desculpe nossa falha. Pensei certo e escrevi errado, mas já foi corrigido.

      Nunca estivemos na Síria, mas todos que foram voltam contando das belezas e hospitalidade de seu povo. Quem sabe um dia.

      Apesar da ditadura ser moderada religiosamente, é um dos maiores inimigos de Israel e não tem tratados de paz com este país diferentemente de Egito e Jordânia.

      Ditaduta de Sadam Hussein foi bem vista por Bush pai, mas nem tanto por Bush filho. O presidente eleito da Guatemala foi derrubado pelos yankees na década de 60. A história é contada no livro Bitter Fruit. O que importa é se o regime é conveniente ou não.

      Um dia também iremos ao Irã que assim com a Síria dizem ter um povo super hospitaleiro.

      Poderíamos conversar muito sobre este lado do mundo se você fosse a um ds nossos Encontros dos Viajantes. O próximo é dia 26/05.

      grande abraço

      • Pois é, temos que ir para SP qualquer hora destas, de preferencia quando tiver um encontro dos viajantes! Dia 24/05 estamos indo para Marrocos e Sahara Ocidental. Mas não faltarão oportunidades. Se vierem para Curitiba dem um toque também!
        Abs

      • Tomara que um dia dê certo de vocês participarem de um encontro.

        boa viagem e grande abraço

        Eder

  5. Conheça a etiqueta local antes de fazer as malas para a Síria
    http://turismoadaptado.wordpress.com/2012/05/12/conheca-a-etiqueta-local-antes-de-fazer-as-malas-para-a-siria/

  6. […] Síria, guerra civil e turismo – Quatro Cantos do Mundo explica […]

  7. Síria é uma terra deslumbrante, com um povo marcardo por inúmeros conflitos político-religiosos e pelo regime ditatorial, que, infelizmente, mata seus cidadãos a cada dia. Quero muito que esta guerra acabe logo, e que o povo sírio possa reconstruir suas vidas e ter paz! Um dia quero visitar e contemplar de perto este lindo país!!! Obrigada pelo artigo! Abraço!

    • Ola Su
      todos desejamos o fim da guerra e quem sabe também um dia poderei visitar as belezas da Síria.

      abs
      Eder

  8. […] Síria, guerra civil e turismo – Quatro Cantos do Mundo explica […]


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