Publicado por: riqlima | 25/04/2012

Nossa Viagem de Volta ao Mundo não Acabou – Vivendo em um Ashram na Índia

Segundo o Wikipedia o termo ashram é normalmente usado para designar uma comunidade formada intencionalmente com o intuito de promover a evolução espiritual dos seus membros, frequentemente orientado por um místico ou líder religioso. E durante minha viagem pela Índia não é que acabei passando três recompensadoras semanas em um desses centros comunitários em Rishikesh no norte do país? À beira do sagrado rio Ganges e aos pés da cordilheira do Himalaia a cidade ganhou projeção internacional quando os Beatles passaram alguns meses em um ashram local e compuseram o White Album. O livro e filme protagonizado por Julia Roberts “Comer, Rezar, Amar” também contribuíram e milhares de pessoas do mundo inteiro têm viajado à capital mundial do Yoga e dos Ashrams em busca de algo mais.

A pacífica e sagrada Rishikesh

O Parmarth Niketan é um dos mais belos Ashrams, rodeado de estátuas de deuses hindus e junto ao Ganges e foi lá que passei a maior parte do meu tempo. Nunca me considerei muito espiritual, mas como estava de coração aberto para novas experiências resolvi verificar o que o universo me reservara naquele momento. Foi sem dúvida uma das melhores decisões que tomei, pois apesar de a rotina não ser fácil o resultado é recompensador e o período em que estive lá foi transformador para mim. Nunca havia feito Yoga ou meditação em minha vida e a rotina se baseia em duas aulas de uma hora e meia cada de Yoga por dia (sendo a primeira às sete da manhã), uma hora de meditação, serviço desinteressado e alguns rituais e celebrações divinas. Refeições são estritamente vegetarianas e simples, mas saborosas.

A entrada do Parmarth

Sessões diárias de Yoga e meditação

No refeitório onde todos comem em silêncio

Em um outro Ashram há alguns minutos dali entrei em contato com o Prem Baba, um dos mais respeitados gurus que adivinhem só: é brasileiro! Diariamente eu caminhava para ouvi-lo às onze da manhã. Não importa qual seja sua religião e sua crença. Passar um tempo em um desses centros, seguramente será uma experiência única e que derrubará vários dos preconceitos que temos. Nunca fui muito religioso e foi muito interessante para mim, após passar por mais de trinta países em minha vida encontrar uma forma pura de felicidade ao mesmo tempo que estava: comendo com a mão, sem carne, sem álcool, sem sexo, trabalhando de graça e ouvindo um barbudo falar sobre amor.  O universo nos reserva vários presentes quando estamos dispostos a recebê-los e a simplicidade de um Ashram mostra que não precisamos de muito para sermos felizes. E já que estava no clima aproveitei o período para ficar uma semana em completo silêncio, apenas olhando para dentro, sem distrações. Fiquei impressionado como podemos aprender com o silêncio. Não confundo esoterismo de culturas diferentes com revelação mística e não quero convencer ninguém a nada, apenas contar como a experiência foi bacana para mim.

Junto ao guru Prem Baba

Aviso na camiseta: Em Silêncio!

Viajar por países com culturas e religiões completamente diferentes das do Brasil, longe das rotinas obsoletas e dos confortos que estava acostumado tem sido excelente para meu crescimento pessoal. Estar com a mente receptiva, descondicionada, sem preconceitos, julgamentos, excesso de análise e disposto a aprender com os outros me faz enxergar o mundo como ele é, sem os parâmetros tradicionais de nossa sociedade. Já li a Bíblia, o Coorão, o Bhagavad Gita e passei um tempo em um monastério budista. Não estou em busca de um significado para vida, mas estou disposto a absorver o que de melhor encontro em cada religião. Viajar me ensinou que a experiência de me sentir vivo é muito mais importante que a busca por um significado, um quebra cabeça inexistente. E viajar, por si só, já é algo espiritual, pois você deixa de gastar com coisas materiais e passa a investir no seu crescimento pessoal e na sua consciência do mundo.

Cerimônia à beira do Ganges em frente ao Ashram

Como escreveu Pico Iyer, “Nós viajamos, em primeiro lugar, para nos perdermos; e em seguida, viajamos para nos encontrarmos. Nós viajamos para abrirmos nossos corações e olhos e para aprendermos mais sobre o mundo do que aquilo que nos é noticiado pelos nossos jornais. Nós viajamos para trazermos um pouco do que pudermos, em nossa ignorância e conhecimento, daquelas partes do globo nas quais as riquezas estão diferentemente dispersas. E nós viajamos, em essência, para nos tornarmos jovens tolos novamente – para diminuir a velocidade do tempo e absorvê-lo, e nos apaixonarmos mais uma vez.” Ah, já ia me esquecendo, morar em um Ashram pode custar algo como R$ 5 por dia ou até menos, aulas e refeições inclusas, mostrando que viajar pelo mundo e viver as melhores experiências da sua vida, pode te fazer economizar muito dinheiro. Mas deixarei esse assunto para um post futuro. Namastê.

Rishikesh : Festa estranha com gente esquisita, mas eu tô legal!

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Responses

  1. Riq queridao! Comecei a ler o texto, rindo, me bateu saudades! ( colocou a foto do prof de yoga hammm hihihi) e logo me emocionei com as palavras de Pico Iyer, com o seu texto. E mais uma vez, pude sentir o qto somos felizes com as oportunidades da vida! Infinitas possibilidades! Obrigada pelo nosso encontro! Bjao e se cuida. Om Namah Shivaya!

    • Olá Java

      deve ter sido mesmo emocionante. Um dia ainda conhecerei a Índia.

      continue nos acompanhando

      Eder

  2. Ah! e eh claro q “eh nois na foto”! (literalmente) Adorei a inesquecivel reuniao da Smell Band! e adorei seu texto! bj

  3. Ao ler tudo que você escreveu Rick me fez fazer várias reflexões, que precisamos muito pouco pra sermos felizes e que a humanidade complica muito a vida Besos mil pra vc meu querido

  4. “….a experiência de me sentir vivo é muito mais importante que a busca por um significado, um quebra cabeça inexistente.” disse tudo Richas !!!!

  5. Essa experiência trouxe tanto autoconhecimento que se vê refletido nas suas palavras! Adorei o post e concordei com essas palavras:“Nós viajamos, para nos perdermos, e, em seguida, para nos encontrarmos”!. Estão em busca de me perder um pouco e me reencontrar por aí rs
    Beijos, Vanessa

    • Oi Vanessa

      realmente o post é muito bom. Cada vez aprendemos um pouco mais com nosso amigo Riq.

      continue nos acompanhando

      bjs

      Eder

  6. “O universo nos reserva vários presentes quando estamos dispostos a recebê-los”…que bom que você esta aproveitando todos esses “presentes”…o texto nos faz refletir sobre a importancia real do “presente” ..a cada leitura das suas experiencias pela volta ao mundo me sinto mais a vontade com a vida…obrigada..obrigada..obrigada.

    • Edna

      ficamos super felizes que tenha gostado do texto e que esteja de bem com a vida.

      Vamos aproveitar os “presentes” que a vida nos dá.

      bjs

  7. Ricardo, ganhei 5 minutos da minha vida lendo seu texto! Obrigado!

  8. Rickkkkk, sem palavras….Boa viagem ao fundo de si mesmo!! uhuuu To acompanhando cada experiencia maravilhosa que vc tem tido..mas tenho que dizer, a saudade é muito deste mundo!! rsrsrs Love Juju

  9. Estou ansiosa pelo próximo post. Muito obrigaa por compartilhar a sua experiência. Ir sozinha para a índia é muita loucura ou recomendado?

    Um abraço!

    Ludmy

  10. Muito interessante, achei fantástico…. Me lembra uma frase do Dalai Lama que li na Inernet, não sei se é verdadeira….

    Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
    E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… e morrem como se nunca tivessem vivido.

  11. Richas, otimas experiencias. parabens por ter aprendido a escrever resumos como os meus ahaha. Eu vou te encontrar seu mlk bjs e abs

  12. Lendo esses textos sinto como se estivesse fazendo parte dessa viagem. Obrigado por compartilhar um pouco dessa sua experiencia maravilhosa!!!

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