Publicado por: riqlima | 17/02/2013

Nossa Viagem de Volta ao Mundo não Acabou – Por que viajamos?

Ibn Battuta, marroquino, meu ídolo e provavelmente o maior viajante de todos os tempos, percorreu mais de 120 mil quilômetros durante os 30 anos que passara viajando no século XIV. Na época de Ibn e até não muito tempo atrás, viajar por um longo período era uma arte em que poucos se atreviam. Em contrapartida, tenho visto cada vez mais gente se aventurando e partindo para longos hiatos pelo mundo. E isso me deixa muito feliz! Europeus e australianos já haviam descoberto o prazer de viajar sem um bilhete de volta há muitas décadas, mas tal prática tem se tornado cada vez mais comum entre brasileiros. “Nunca antes na história desse país” fora tão possível viajar. Globalização em seu auge e condições econômicas favoráveis por aqui fazem o sonho ser possível para muitos. E conheço vários que estão transformando o sonho em realidade.

Viajar e se aventurar é uma necessidade para muitos de nós  (Jinja – Uganda)

Viajar e se aventurar é uma necessidade para muitos de nós (Jinja – Uganda)

Eu sempre disse que é melhor vivenciar os sonhos na pele do que vê-los através de livros e programas de televisão. Mas recentemente, aprendi através da National Geographic a “doença” que eu e provavelmente você, leitor, também possui. A variante do gene DRD4, conhecida como DRD4-7R, que cerca de 20% da população mundial possui, pode ser o responsável pelo vício em viagens. Vários estudos mostraram que os humanos que possuem essa variante são mais propensos a tomar riscos, explorar novos lugares, idéias, comidas, relações e abraçar mudanças e aventuras com maior facilidade. E se não fosse tal variante, talvez as migrações que ocorreram nos últimos 50 mil anos não tivessem ocorrido da mesma maneira. E se não fosse tal variante, talvez eu me contentasse em ficar trancado em um escritório ao invés de explorar o mundo. E talvez por isso algumas pessoas gostem de ir a restaurantes e lugares novos, enquanto outros preferem a segurança do conhecido. Pode ser o gene da aventura, que após a curva de aprendizagem se achatar faz você querer mais e seu coração pulsar por outra realização. Não existe uma mosca que nos pica e nos deixa viciados em viajar; a mudança vem de dentro.  A primeira longa viagem tende a se transformar em um vício, assim como o primeiro cigarro: evite se não quiser transformar sua vida e sua concepção de realidade!

Aventuras + DRD4-7R = Felicidade (Mae Hong Son – Tailândia)

Aventuras + DRD4-7R = Felicidade (Mae Hong Son – Tailândia)

Nenhum mamífero se move tanto quanto o homem, que peregrina mesmo com todas as necessidades básicas atendidas. E hoje em dia tanto os possuidores da variante DRD4-7R, quanto os outros humanos podem usufruir de uma maneira fácil, segura e divertida a arte de viajar. Na época de Ibn Battuta não era bem assim. Certo dia em uma cidade persa ao perguntar se um habitante falava árabe, a resposta foi na’am (sim, em árabe), o que fez com que o marroquino falasse por longo tempo, até perceber que na’am era a única palavra que o interlocutor sabia (para quem está indo viajar agora, prepare-se para conhecer muitos habitantes locais “fluentes em inglês” que saberão dizer apenas Yes e tentarão te vender algo). Em uma visita a Indonésia, Ibn viu o sultão colocar uma faca no pescoço de um homem, falar por muito tempo e então cortar a cabeça do rapaz em sua frente. E ao final o sultão lhe perguntou se tal atitude não era normal em seu país. Quem está indo viajar agora, provavelmente não passará por isso e viajará por um mundo muito mais suave, com facilidades de comunicação, alimentação, estadia… E dificilmente você terá sido o primeiro a chegar lá (não se frustre por isso, e desfrute). Enfim, a globalização está acabando com as desculpas para não conhecermos o mundo como ele realmente é!

Mundo globalizado, fantástico, lindo, seguro e igual em suas diferenças (Pakse – Laos)

Mundo globalizado, fantástico, lindo, seguro e igual em suas diferenças (Pakse – Laos)

O homo sapiens originou-se cerca de 200 mil anos atrás e fomos nômades até o surgimento da agricultura e sedentarização da espécie, decorrente do estabelecimento de vilas e cidades há cerca de 10 mil anos num período chamado de neolítico. Dessa maneira, além de carregarmos o gene da aventura, também temos uma longa história nômade com técnicas aprimoradas ao longo dos milênios. Talvez por isso, algumas pessoas não se contentem em ficar sentadas no sofá comendo batata frita e prefiram explorar o mundo, revivendo raízes, obedecendo à genética, ao coração e ao instinto. Com tanto tempo de nomadismo, talvez por isso muitos homo sapiens prefiram gastar seu dinheiro com viagens ao invés de carros e casas melhores. A genética ajuda a explicar porque Cristóvão Colombo, James Cook, Amyr Klink, Ibn Battuta, Eder, Fabi, Paulo, Carol, Marcelo, Alex, Pablo, Karina, Rafa, Maria Paula, Glad, Nicholas, André, Ernesto e várias outras pessoas gostem tanto de viajar! E você, por que não colocar mais aventura em sua vida?

Viaje e continue viajando...(Algum lugar do Saara)

Viaje e continue viajando…(Algum lugar do Saara)

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Responses

  1. Bom saber que não é uma doença!kkk E fico feliz em saber que vim com o DNA da sorte: dos que amam viajar!!! Em abril, partirei por esse mundão por 7 meses, mas sei que não vou parar por aí! Feliz aniversário Riq!

    • É isso ai Karla! Não é uma doença, mas se você não obedecer o desejo de viajar, quem ficará doente será seu coração! Continue viajando e aproveite muito esses 7 meses!!!

      Abs,

      Riq Lima

  2. Ótimo saber que eu tenho esse DNA, sou viciada em viajar, rs rs rs…

    Mês que vem estarei nos Estados Unidos e em outubro na Africa do Sul (aliás, se alguem souber de um repelente eficiente, me avisem, rs, rs rs…

    Ricardo, ja mandei meu recadinho de niver em seu email, kkkk (qdo recebi o post do blog, kkkk).

    Beijos,
    Aviva Juju

    • Juju

      só me entrometendo no post do Riq quanto ao repelente. O único que realmente funciona deve ter 50% de DEET. No Brasil não vende, mas na África do Sul tem. Nome comercial é Exposis, mas lá deve ter outro nome.

      abs

      Eder

    • Juju, já falamos por e-mail, mas aqui vai novamente meu muito obrigado pelas suas mensagens!
      Continue viciada nas viagens e aproveite muito os EUA!
      E siga a dica do Eder quanto ao repelente!

      Abs,

      Riq Lima

  3. Parabéns meu querido…. acho que tenho um pouquinho desse DNA Besos e luz sempre pra vc

    • Com certeza Erica! Você tem sim, e espero que faça bom proveito dele!! 1000 Besos e boas viagens!   Riq Lima  

  4. Riq,
    como sempre muito inspirador!
    Pois essa jornada de pular de continente em continente eh algo incrivel!
    Alem das supresas inesperadas que nos deparamos.
    Para minha sorte revivi momentos unicos com um amigo que a oito anos nao o via, exatamente depois da minha formatura no ensino fundamental!
    Fomos para karaokes coreanos, pela primeira vez na minha vida.

    Engracado que quem olha pra minha cara, essa cara coreana que meus pais fizeram, duvida que um dia vivi por 25 anos no Brasil e ca estou de volta a minha terra natal!

    Amo o Brasil e admiro essa terra, a Coreia.

    Foi muito bom ter tido voce aqui, espero nos esbarrarmos em algum dos quatro cantos do mundo meu amigo!

    ipi ipi uha!!!!

    eaeaea
    bjinhus e que tenha tido um doce aniversario!
    te estranamos mucho chee…volverte!

    Lena …. J.

    • Minha grande amiga Lena, Obrigado pelso elogios! Você com certeza também possui esse DNA mutante!!! E se foi um prazer pra ti me reencontrar, pra mim foi prazer em dobro!! Coração aberto e mente receptiva! Do resto o Universo se encarrega! Também amo muito o Brasil e a Coreia, e espero que nos reencontremos logo em um dos dois!   Grande EA pra você e pra JL!   Riq Lima

  5. Que texto lindo! Viajei e refleti sobre o assunto.
    E pela primeira vez fiquei feliz em saber que tenho uma “doença”. Engraçado que para mim este “vírus” chegou tarde, mas desde o momento que comecei a apresentar meus primeiros “sintomas”, não consegui parar mais.
    Tive identificação total pelo texto!

    • Cara Luciana, Muito obrigado pelos elogios! Fico muito feliz que tenha se identificado com o texto!  A doença não é congênita, mas é crônica! E agora que te pegou, não vai te largar mais!  Continue satisfazendo o “vírus”!!   Abraços,   Riq Lima

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