Publicado por: Eder & Fabi Rezende | 11/05/2014

Nossa… Só podia ser mesmo Noosa – Austrália

Com o perdão do trocadilho é assim boquiaberto que você ficará ao se deparar com a beleza natural de Noosa. Para nós sem dúvida está entre as praias mais bonitas que conhecemos na Austrália, talvez porque só nesta região conseguimos unir duas coisas que tanto gostamos: a beleza de praias “wild” com as trilhas a beira mar no Noosa National Park. Mas Noosa é democrática e também tem praia no estilo que brasileiro gosta, ou seja, bunda na areia o dia todo regado a muita cerveja e comida. Para este estilo melhor se hospedar em Noosa Heads que é o lugar onde as coisas acontecem em termos de vida noturna, restaurantes e bares. Mas se a grana faltar para ficar na Beverly Hills local, encare dez minutos de carro diariamente até Noosaville onde os preços são mais em conta. Nós como bons amantes da natureza ficamos no lugar mais selvagem da região que deixamos para o final deste post.

Noosa beleza selvagem

Noosa beleza selvagem

A entrada principal do Noosa National Park (quadrado em destaque na imagem abaixo) fica muito próxima de Nossa Heads. O acesso pode ser feito de carro ou a pé.

Mapa do Noosa National Park e suas trilhas

Mapa do Noosa National Park e suas trilhas

O estacionamento no local é gratuito, mas faça como nós e chegue cedo para encontrar vagas disponíveis. No centro de informações turísticas pegamos um folder com mapa do parque e todas as informações importantes para curtir as belezas naturais com segurança. Nossa intenção inicial era cruzarmos todo parque pela Coastal track (trilha 4 em azul) passando por Alexandria Bay, uma praia de nudismo (não obrigatório) deserta de rara beleza. Mas como tanto eu quanto a Fabi carregávamos peso extra achamos prudente não arriscarmos caminhar 5,4 quilômetros de ida e depois o mesmo percurso de volta para reencontramos o carro que ficaria no estacionamento. A Amélie seguia tranquila na sua mochila de trekking grudada as minhas costas e o Noah, que nesta época nem tinha nome, ia dormindo na barriga da mãe.

Planos refeitos, de carro rumamos para Parkedge Road bem ao sul na imagem acima, para iniciarmos os bem menos cansativos 4,6 quilômetros (ida e volta) da Alexandria Bay Track (trilha 5 em lilás). O visual da trilha é encantador e foi tão tranquila que a Amélie chegou a praia já dormindo.

O visual da trilha embalou o sono da Amélie

O visual da trilha embalou o sono da Amélie

Amélie curtindo o soninho da manhã sob os olhos cuidadosos da mãe

Amélie curtindo o soninho da manhã sob os olhos cuidadosos da mãe

Enquanto a Fabi recuperava o fôlego e vigiava o sono da Amélie eu não resisti e sai para caminhar na praia que tem um formato de ferradura. A cada passo encontrava um novo ângulo ainda mais genial para uma foto. Foram tantas que até perdi a conta. Mas logo pensei: este paraíso deve ser desfrutado. Largando a câmera na areia corri para um mergulho refrescante. A Amélie ainda dormia e eu e a Fabi ficamos longos minutos em silêncio apreciando a exclusividade daquele colírio para os olhos. De vez em quando passava um grupo de pessoas, mas logo iam embora.

Que praia

Que praia

O visual completo da ferradura

O visual completo da ferradura

Como trilheiros experientes que somos, a comida estava pronta assim que a Amélie despertou com seu estômago lhe lembrando que o café da manhã já era um passado muito distante. Bem alimentados, brincamos um pouco na sombra para depois praticarmos o propósito daquela praia: o nudismo. A Fabi não topou o desafio e foi de biquíni mesmo. Para a Amélie não teve novidade já que para ela toda praia é de nudismo. Sempre nada como veio ao mundo. Devo confessar que nunca imaginei que a ausência de um simples pedaço de pano entre suas partes íntimas e a água pudesse fazer tanta diferença. No começo é estranho, mas depois a sensação de integração com a natureza é recompensadora. Recomendo para quem nunca tentou. Na hora de voltarmos ainda nos deparamos com um rádio de emergência. Como a praia é isolada da civilização, em caso de emergências você pode pedir socorro por este rádio que funciona com um painel solar. Isso é que é infraestrutura de primeiro mundo.

Basta apertar um botão e alguém te atende do outro lado

Basta apertar um botão e alguém te atende do outro lado

Motorizados e com energia de sobra, rapidamente retornamos a entrada do parque para enfim encararmos a Coastal track (trilha 4 em azul). É inacreditável para os padrões brasileiros, mas até o Dolphin Point a trilha é asfaltada o que dá livre acesso a cadeirantes. Inclusão é isso. Enquanto aqui ainda brigamos por rampas de acesso em prédios públicos. Diferente da trilha anterior, nesta você caminha todo tempo a beira mar e que visual estonteante. A água verde esmeralda próximo a areia torna-se azul turquesa a medida que giramos os olhos para o fundo. Tudo isso visto de janelas naturais entre a vegetação. Prepare a câmera para mais uma sessão de fotos interminável. O Boiling Pot é um mirante com ótima vista do mar. Mais a frente está a Tea Tree Bay. Se você pensou que a grande atração do local é a beleza marinha se enganou. É em terra firme, ou melhor dizendo, no ar nem tão firme que todos buscam encontrar os coalas que vivem no alto das copas das árvores. Ele nos deu a honra de uma visita e a Amélie ficou simplesmente extasiada. Coalas são os bichos-preguiça da Austrália. Dormem atá dezenove horas por dia e no tempo que sobra ficam comendo folhas de eucalipto. Como a folha tem pouca energia, eles comem muito e se movimentam pouco para gastar  mínimo possível.

O ilustre morador do local, amigo coala

O ilustre morador do local, amigo coala

Tea Tree Bay

Tea Tree Bay

Mas a trilha estava apenas começando. Mais alguns minutos de caminhada e chegamos a outro mirante, o Dolphin Point. Um pouco mais a frente está a Granite Bay, deserta, solitária, carente a espera de nossa chegada para lhe fazer companhia. Mais uma praia só para gente. A próxima parada foi a Winch Cove. Aqui encontramos sombra e um banco para descansarmos. Tirei a Amélie das costas que já dormia novamente e fui sozinho até o fim da trilha no mirante Hell´s Gate. De lá se pode ver Alexandria Bay a direita e abaixo um precipício que rasga o paredão de rochas que é o tal portão do diabo. Se tiver sorte como eu poderá encontrar tartarugas nadando nas águas calmas. Voltamos vagarosamente pelo mesmo caminho parando em todas as praias para banhos de mar e para dar um último adeus ao coala. Era hora de voltar ao camping e mostrar a vocês o quanto especial ele era.

Foi neste precipício que avistei uma tartaruga

Foi neste precipício que avistei uma tartaruga

O camping escolhido foi o Noosa Northshore Beach Camp Ground que fica em Noosa Northshore conforme mapa abaixo. Para chegar até lá é necessário atravessar o rio Noosa em uma balsa. A travessia dura dois minutos, o mesmo tempo da espera pela balsa e custa 7 dólares australianos.

Do outro lado do rio não existe água encanada, só de poço. No camping havia apenas uma torneira de água potável cujo o uso era permitido somente após solicitação ao funcionário da portaria. O banho era cronometrado. Você coloca uma moeda de um dólar australiano e a água começa a sair, se em três minutos ainda estiver ensaboado tem que gastar mais uma moeda ou deixar o enxague para água do mar. Nós tentávamos aproveitar ao máximo o tempo exíguo. Tiravámos toda a roupa antes de inserir a moeda, deixávamos o frasco de xampu aberto, sabonete no jeito, mas e os australianos. Colocavam a moeda ainda de roupa e depois não dava tempo. Muito engraçado. O lugar era tão remoto que nem o GPS conseguiu nos guiar até lá. O jeito foi seguir as placas de indicação após cruzar o rio. Para nós isso tudo é bastante normal, mas para quem achou muito perrengue, também tem a compensação. A praia era totalmente virgem sem nenhum vestígio da presença humana. Foi neste camping que vimos bem de perto o único canguru selvagem de nossa viagem e pensar que na Austrália existem sessenta milhões deles. Enquanto ele comia grama ao lado de nossa barraca pudemos observá-lo por longos minutos. A Amélie nem piscava e acho que foi neste dia que nasceu sua paixão pelos cangurus.

A curiosidade para ver o canguru não era só nossa

A curiosidade para ver o canguru não era só nossa

Depois de tanto comer ele se colocou ereto e nos assutou pois passava facilmente dos dois metros de altura. Mais impressionados ainda ficamos quando em apenas um salto ele se deslocou cerca de uns dez metros de distância. Após três saltos já o tínhamos perdido de vista. Mas para não deixar saudades ele voltou a nos visitar a noite e no silêncio absoluto podíamos escutar a grana sendo arrancada bem ao lado de nossa barraca. De Noosa guardamos ótimas recordações e só nos arrependemos de não termos ficado mais tempo neste santuário da natureza.

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Responses

  1. Sensacional, que lugar adorável

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