Publicado por: Quatro Cantos do Mundo | 07/12/2014

Minha vida em hostels

Poucos sabem, mas minha vida de viajante inveterado é relativamente nova. Diferente da maioria dos viajantes não venho de uma família viciada em cair no mundo. Na verdade é bem o contrário. Para minha tristeza todos os anos a viagem de férias da família tinha sempre o mesmo destino: a fazenda dos meus tios em Mato Grosso do Sul. No começo até que era legal reencontrar os primos depois de um ano, mas com o passar do tempo a viagem ficou bem monótona. Mas o que fazer se ainda adoslescente não tinha um PAItrocínio para bancar meus desejos de viagem. O jeito foi esperar até eu começar a trabalhar.

Coincidentemente minha primeira experiência em um hostel foi durante uma viagem a trabalho. Viajei para fazer um curso na Inglaterra e a empresa que trabalhava me liberou para sair do Brasil na quinta feira. Teria três dias para conhecer a badalada Londres, mas os custos de hospedagem seriam por minha conta. O que fazer então se o desejo de viajar era tão grande quanto o de economizar meu suado dinheirinho de recém formado? Na época uma rainha Betinha (libra esterlina) valia seis FHCs (reais). Um hostel foi a solução mais óbvia. Acabava de descobrir que hostels são ótimas opções de hospdeagem barata, mas havia ainda um mundo hosteliano a ser desvendado. Ainda me lembro que fui até o centro de São Paulo para fazer minha carteirinha de alberguista. Naquela época a internet já existia mas ainda era um bebê. Saí de lá com catálogo dos hostels da Europa.

Catálogo de hostels europeus de 2002

Catálogo de hostels europeus de 2002

A reserva foi feita pela web para um quarto com capacidade para quatro pessoas apesar de sermos somente três. Afinal ainda pensava que dividir um quarto com um desconhecido era algo inadimissível. Londres realmente como já era de se esperar não me agradou, mas comecei a ver os hostels com outros olhos graças ao YHA London Earl´s Court.

YHA London Earls Court minha primeira vez

YHA London Earls Court minha primeira vez

Um ano depois e já mais capitalizado, mas não menos mão de vaca eu e a Fabi resolvemos empreender nosso primeiro mochilão. Argentina, Chile, Bolívia e Peru estavam em nosso roteiro e mais uma vez recorremos aos hostels muito mais pelos baixos preços do que pelo outros atrativos que descobriríamos nesta viagem. A primeira parada foi no Salta Backpackers no norte da Argentina e também a primeira lição aprendida. Não é porque o hostel é filiado a rede de Hostelling International que o padrão do mesmo é bom. Tome cuidado e use as avaliações de outros hóspedes como referência. O serviço ruim do hostel de Salta quase estragou meu recém iniciado namoro com os hostels.

Uma decepção que por felicidade não terminou meu namoro com hostels

Uma decepção que por felicidade não terminou meu namoro com hostels

A segunda parada nesta mesma viagem foi no Hostel Mamatierra em San Pedro de Atacama e mais descobertas. A carteirinha de alberguista não é obrigatória para se hospedar em um hostel e existe um universo infinito deles não filiados ao Hostelling International. Segunda constatação: nos hostels encontramos uma Babilônia de pessoas de todas as partes do mundo, idades e crenças mas todas unidas pelo paixão de viajar e de empreender rumo ao novo.

Fazendo amigos para sempre e com o mesmo gosto por viajar no Mamatierra

Fazendo amigos para sempre e com o mesmo gosto por viajar no Mamatierra

A partir de então os hostels entraram definitivamente na minha vida. Da África do Sul a Tunísia. Do Marrocos a Malásia. Da Itália ao Egito. Sempre havia um hostel pronto para nos acolher. E mais descobertas. Hostels são ambientes multiculturais e liberais onde estrangeiros sempre são bem vindos. Se vai viajar para um país mais conservador e com hábitos e costumes mais tradicionais o hostel é a escolha certa para sua hospedagem.

Não poderia me esquecer dos hostels do Caminho de Santiago. Aqueles são a síntese do ambiente familiar e aconchegante de um hostel. Todos cozinhavam juntos, lavavam a louça juntos, trocavam além de experiências, acessórios para facilitar a dura caminhada. De band aid a pomada para os pés. Muitos deles eram totalmente grátis e viviam de doações e do trabalho de dedicados voluntários. Quem não se sentiria acolhido neste tipo de ambiente?

Todos jantando juntos no ambiente de hostel mais familiar da minha vida: Caminho de Santiago

Todos jantando juntos no ambiente de hostel mais familiar da minha vida: Caminho de Santiago

Hostels também são palco de histórias engraçadas. Recentemente voltei a África para subir o Kilimanjaro e ver de perto os gorilas em Uganda. E o Red Chilli Hideway é parada obrigatória de todos os mochileiros em Kampala, capital de Uganda.

Ambiente descontraído do Red Chilli em Kampala

Ambiente descontraído do Red Chilli em Kampala

Desta vez viajava acompanhado de um amigo também aventureiro, ou era o que eu pensava. Chegamos a noite e após um banho nos instalamos nos beliches para uma merecida noite de descanso. O sujeito que estava na cama de baixo do meu beliche lia tranquilamente com sua luz de leitura acesa, mas sem incomodar a ninguém. Eis que de repente ele solta um pum trovão e continua sua leitura como se nada tivesse acontecido. Coisas de quartos coletivos de hostel e eu virei para o lado e peguei no sono. No outro dia meu amigo comenta indgnado sobre o peido do sujeito no quarto: – Poxa, nem um sorry ele não disse né. Eu já intrigado comentei que eram coisas normais de quartos coletivos de hostels. E meu amigo seguia indignado como a nuvem de gás mal cheiroso. Conversa vai, conversa vem acabei descobrindo que era a primeira vez que meu amigo se hospedava em um hostel. Fui responsável pela perda tardia de sua virgindade hosteliana aos trinta e quatro anos de vida. Mais uma história de hostel para contar para os netos.

Por fim uma história que também não poderia deixar de contar. A primeira vez da Amélie (minha filha) em um hostel. Bem diferente do meu amigo, a Amélie foi bem precoce neste quesito. Logo aos dois anos já estreou em hostels e foi na Austrália mais exatamente no Flying Fox Backpackers. Geralmente hostels não aceitam crianças, mas alguns abrem uma exceção caso elas fiquem com os pais em um quarto privado que foi nosso caso. Nem precisa dizer que a Amélie imediatamente se tornou a estrela maior do hostel. Todos queriam conhecê-la, falar com ela, saber tudo sobre uma criança de dois anos que frequenta hostels. Ela tocou violão, desmanchou parte de um quebra cabeças de quase cinco mil peças, circulou por todos os comôdos da casa e na saída ganhou muito carinho de todos. Lição aprendida é que hostel é lugar para todas as idades.

Ainda de chupeta e já frequentando hostels

Ainda de chupeta e já frequentando hostels

Depois de tantas boas experiências, recentemente mais uma notícia veio me deixar ainda mais feliz com a vida nos hostels. Se eles já são uma opção barata de hospedagem, imaginem se fossem grátis. Sim isso é possível graças ao trabalho espetacular do meu grande amigo de viagens Riq Lima e da família Worldpackers. Acesse o site e faça seu cadastro gratuito e boas viagens.

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Responses

  1. Bom dia.

    Nossa, estou surpresa com todo esse leque de informações, aprendi muito com dicas e começarei a olhar com mais carinho e atenção para este tipo de hospedagem, em geral saio na caça de hoteis, e como viajo na maioria das vezes sozinha, acaba ficando bem mais caro. Parabéns pela matéria e amei as dicas😉

    Beijo a todos

    Ju

  2. Confesso q foi minha primeira vez, mas vc podia ter escolhido um hostel melhorzinho pra que eu perdesse a virgindade com dignidade. Rsrs…. Haverá proximas. Ahhh…. Q cabelinho nerd era aquele hein???

    • Ola Normando

      você reclama mas bem que adorou a pizza do hostel queria jantar todo dia por lá e beber uma cerveja no bar né.

      abs

      Eder

  3. Eder,

    Otimo post, eu também comecei a viajar assim e não era paitrocinado.

    Acho que uma tendencia e começar a haver hosteis um pouco mais confortáveis para os que ja usaram hosteis em tempos mais duros, mas gostam do companheirismo do Hostel.

    • Ola Ernesto já existem.

      Há hostels que são muito melhores que hoteis, basta procurar.

      abs

      Eder

  4. […] Minha vida em hostels […]

  5. […] Minha vida em hostels […]


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