Publicado por: Quatro Cantos do Mundo | 10/05/2015

Opera House – Sydney – Arquitetura Espetacular

Hoje inauguramos uma nova série em nosso blog. Depois de mostrarmos dezenas de Lugares Únicos no Mundo resolvemos exaltar as belezas arquitetônicas de nosso planeta. E não poderíamos começar a série de forma melhor. Além da beleza incontestável, a Sydney Opera House tem uma história que mais se parece uma tragédia grega. Conheça todos os detalhes da arquitetura e da saga que foi a construção deste edifício que é a cara da Austrália.

No fim de 1954 JJ Hon (Joe) Cahill, Premier de New South Wales convoca uma conferência para discutir o estabelecimento de uma casa de ópera em Sydney. Em maio de 1955 o governo anuncia que o edifício será construído em NSW Bennelong Point. No segundo mês de 1956 um programa e as diretrizes para uma competição internacional para uma casa de ópera nacional em Sydney são liberados.

Onipotente e onipresente na baía de Sydney

Onipotente e onipresente na baía de Sydney

Na desconhecida Hellenbaek (Dinamarca) o não menos obscuro Jørn Utzon, arquiteto de 38 anos de idade concebe seu design e se inscreve no concurso no fim do mesmo ano enviando 12 desenhos para Sydney. Em dezembro as inscrições são encerradas com 233 inscritos de todo o mundo. O inscrito número 218 foi o escolhido por um júri de quatro experts. Reza a lenda que Eero Saarinen chegou atrasado para o julgamento e recuperou os desenhos de Utzon que já haviam sido descartados pelos outros jurados. Entrevistado na conclusão do julgamento, mas antes do anúncio do vencedor, Leslie Martin deu a entender quem seria o vencedor: “Nós olhamos para uma obra monumental … o projeto da casa de ópera tinha que ser uma coisa criativa.”

O projeto foi incialmente orçado em 3,5 milhões de libras esterlinas. Jørn Utzon sabe da decisão dos juízes por seu filho que corre pela floresta até a estação ferroviária para encontrá-lo quando ele estava chegando em casa do trabalho. Clique aqui para ver os desenhos originais.

Um dos desenhos originais de Jørn Utzon

Um dos desenhos originais de Jørn Utzon

Entre 1957 e 1959 Utzon viaja para Sydney já que ele havia projetado a Sydney Opera House sem realmente ver o local pessoalmente. Ele também expõe o modelo original na Câmara Municipal como a peça central para a criação do fundo de Loteria Opera House. Utzon apresenta o seu relatório da Sydney National Opera House, conhecido como o “Livro Vermelho”. Este relatório mostra que o projeto original do telhado de forma livre é estruturalmente irrealizável.

Em março de 1959 oficialmente a obra é inaugurada. Em novembro de 1960 Paul Robeson canta para os trabalhadores no local como o primeiro concerto não oficial. Em janeiro de 1962 Utzon apresenta “Livro Amarelo” que contém 38 páginas de planos, cortes e alçados apresentados por ele e consultores. Ele inclui planos dos salões, as conchas do grande salão, detalhes de uma tampa pré-moldada e a cobertura do telhado em conchas. A capa do “Livro Amarelo” mostra os princípios da geometria esférica determinada no final de 1961: a “Solução Esférica”, que foi aprovada para construção em 1962. Dois meses depois surge uma nova “Solução Esférica” diferente. Durante os próximos cinco anos Utzon, em conjunto com Arup, desenvolve diferentes soluções para um telhado que na prática não se sustentava. O desenvolvimento do projeto do telhado foi um processo difícil e demorado e como acontece com grande parte do trabalho Sydney Opera House exigiu o máximo das habilidades dos envolvidos e forçou a tecnologia da época ao limite. Em fevereiro de 1963 o pódio está construído.

Não foi fácil fazer estas conchas levitarem no ar

Não foi fácil fazer estas conchas levitarem no ar

Depois de tanto esforço todo mundo quer uma foto com ela

Depois de tanto esforço todo mundo quer uma foto com ela

Até a Amélie

Até a Amélie

A fase 2 começa logo após o término do pódio. O telhado em forma de concha era algo inimaginável para época. Os enormes desafios na construção exigiram aplicações pioneiras e muitos materiais e práticas de construção e engenharia inovadoras. Utzon queria que as conchas do teto contrastassem com o profundo azul do céu australiano como nuvens ou velas na água. Para alcançar este efeito as peças precisariam ser polidas, mas não refletoras como espelho. Utzon encontrou exatamente o que queria no Japão, tigelas de cerâmica. Três anos de trabalho pela Höganäs da Suécia produziu o efeito Utzon queria no que ficou conhecido como a telha de Sydney, 120 milímetros quadrados, feita de barro com uma pequena percentagem de brita. As telhas são auto limpáveis e estão sempre brancas, resultado das chuvas que as lavam e do ângulo de inclinação que não deixa poeira depositada. No total existem 1.056.006 telhas no telhado.

Algumas das mais de 1 milhão de telhas de Sydney

Algumas das mais de 1 milhão de telhas de Sydney

Em 1965 Utzon tem seus pedidos de verbas para construção da fase 3 negados e para piorar o partido Trabalhista (idealizador do projeto) perde as eleições. Em fevereiro de 1966 Utzon se retira do projeto apresentando uma carta de retirada a Davis Hughes, Ministro das Obras Públicas. No mês seguinte 1000 pessoas marcham na State Parliament House exigindo a reintegração de Utzon. Em abril Davis Hughes nomeia um novo painel de arquitetos australianos para completar a Sydney Opera House: Peter Hall (responsável pelo design), DS Littlemore (responsável pela supervisão), Lionel Todd (encarregado de documentos) e EH Farmer (Arquiteto Chefe do NSW e presidente do painel). Em janeiro do ano seguinte a fase 2 é concluída com a instalação do último (2194º) pré-moldado. Em dezembro de 1972 a Orquestra Sinfônica de Sydney, conduzida por Sir Bernard Heinze, faz um concerto teste no Concert Hall. A audiência compreende trabalhadores da construção civil e suas famílias e também inclui críticos de música.

Em julho de 1973 antes mesmo da inauguração as visitas guiadas começam para permitir que as pessoas conheçam o prédio antes das performances públicas. No período de 01 de julho de 1973 a 30 de junho de 1974 mais de meio milhão de pessoas visitam a Sydney Opera House. Em julho do mesmo ao acontece o primeiro evento teste. Em setembro depois de quase vinte anos de sua concepção a Sydney Opera House é oficialmente aberta ao público com uma produção de Guerra e Paz de Prokofiev, no Teatro de Ópera. A apresentação inaugural no Concert Hall é na noite seguinte com um programa wagneriano executado pela Orquestra Sinfônica de Sydney. A orquestra é conduzida por Charles Mackerras e a soprano sueca Birgit Nilsson é a solista. Em outubro a rainha Elizabeth II abre a Sydney Opera House na presença do duque de Edimburgo atendendo ao Concerto de Gala da 9ª Sinfonia de Beethoven com a Orquestra Sinfônica de Sydney. Ela também participa de um segundo concerto onde é tocado A Flauta Mágica. A Sydney Opera House abre com quatro salas de desempenho principais: o Concert Hall com capacidade para 2679 pessoas, o Teatro Opera para 1505 pessoas, o Drama Theatre com 544 assentos e a Sala de Música (posteriormente renomeada Playhouse) com 398 lugares. Há uma sala de exposições (agora sanitários no salão ocidental), uma sala de gravação (agora o Studio) e uma sala de recepção (agora a sala Utzon), bem como cinco salas de ensaio, dois restaurantes, seis bares de teatro e extensos lobbies.

Não cansamos de admirar a beleza de suas curvas

Não cansamos de admirar a beleza de suas curvas

Em maio de 1979 o grande órgão do Concert Hall é inaugurado. O órgão tem mais de 10.000 tubos, dos quais 109 são visíveis a partir do auditório. Há 200 fileiras de tubos agrupados em conjuntos de 127. O idealizador do instrumento informou que o órgão não iria tocar seu melhor som por dois ou três anos, ou até que ele tinha sido afinado e ajustado em seus milhares de tubos.

Em outubro de 1984 é comemorado o 10º aniversário da Sydney Opera House. Em 1986 começa a transformação da praça de entrada. Quando Jørn Utzon apresentou os projetos para a Sydney Opera House, ele previu uma praça aberta que conduz ao principal lance de degraus. Foi para fornecer uma visão desobstruída de seu crescente conceito arquitetônico. Durante os primeiros 12 anos de suas operações no entanto, a praça era um parque de estacionamento que destoava da obra e nunca era aberta ao público. Uma monstruosidade em termos estéticos. A filha de Jørn Utzon, Lin, inaugura uma placa geométrica da praça. Jørn Utzon se diz muito satisfeito com o Governo que decidiu terminar a praça aberta conforme originalmente planejada.

Praça idealizada por Utzon a esquerda

Praça idealizada por Utzon a esquerda

Em agosto de 1992 Jørn Utzon é agraciado com o Prêmio da Fundação Wolf em Artes (Arquitetura), reconhecendo suas qualidades como grande arquiteto. Em 1993 uma placa de bronze homenageando Jørn Utzon é inaugurada na Sydney Opera House por sua filha Lin. Utzon insistiu que a placa não deveria ser sobre si mesmo, mas uma demonstração da solução esférica. Em 1994 a exposição ‘Unseen Utzon’ abre no Sydney Opera House. A exposição revela projetos de Jørn Utzon para o interior do edifício que teriam sido realizados se ele tivesse continuado a trabalhar como arquiteto da Sydney Opera House.

Outra vista da Sydney Opera House

Outra vista da Sydney Opera House

Sydney Bridge escondida pelas conchas

Sydney Bridge escondida pelas conchas

Vista noturna (foto do site Wikipedia)

Vista noturna (foto do site Wikipedia)

Sydney Opera House assistindo a tradicional queima de fogos do Ano Novo (foto wallpaperweb.org)

Sydney Opera House assistindo a tradicional queima de fogos do Ano Novo (foto wallpaperweb.org)

Sydney Opera House durante um show de luzes (Foto: Wikipedia)

Sydney Opera House durante um show de luzes (Foto: Wikipedia)

A exposição mais popular foi a modelagem computacional dos dois grandes salões, agora o Concert Hall e o Teatro de Ópera, criado pelo estudante de arquitetura Philip Nobis a partir de conceitos de Utzon. Em uma carta mostrada na exposição, Utzon escreveu: “É uma história há muito esquecida. O importante é que a Sydney Opera House é um edifício tão amado”. Em 1995 Lin Utzon apresenta modelo de escala do Salão Principal para o Sydney Opera House Trust. Lin diz, em nome do Utzon que era “o sonho que se tornou realidade.”

O que parecia mesmo impossível se tornou realidade

O que parecia mesmo impossível se tornou realidade

Em outubro de 1998 Sydney Opera House celebra seu 25º aniversário que atrai mais de 85.000 pessoas ao local. Em abril do mesmo ano Frank Sartor, o prefeito de Sydney, anuncia que Utzon aceitou o prêmio de “as chaves da cidade de Sydney.” Em agosto de 1999 Utzon é recontratado como consultor de design. A reconciliação é completa. Em 2007 a Sydney Opera House passa a fazer parte da seleta lista dos Patrimônios Mundiais da Unesco. Em novembro de 2008 a Sydney Opera House presta homenagem a Jørn Utzon que morreu tranquilamente em seu sono em Copenhague aos 90 anos.

Amélie caminha pela Sala Utzon

Amélie caminha pela Sala Utzon

O custo final da obra foi de 51 milhões de libras, quase quinze vezes maior que o orçado devido a enorme dificuldade de transpor do papel para a realidade uma obra extremamente inovadora. Alguém tem dúvida que valeu a pena? Segundo o arquiteto americano, Louis Kahn: “O sol não sabia o quão bonito era sua luz, até que foi refletida por este edifício.”

As informações deste post são todas do site oficial da Sydney Opera House e colhidas durante nossa visita guiada ao local.

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Responses

  1. Paulo, Fabi, Carol e Eder, haverá um tempo em que “Quatro Cantos do Mundo” nos proporcionará experiências com brasileiros que fizeram o “sonho de morar fora do Brasil”, e esse tempo já chegou. Sou médico casado com uma acupunturista e pai de uma jovem pós graduada em moda e um jovem pós-graduado em TI. O garoto morou uns tempos na Austrália. Foi essa morada que o catapultou para ser cidadão do mundo. Agora eu e minha mulher, que já passamos pela síndrome do ninho vazio, queremos fazer o “sonho de morar fora do Brasil”. Que tal, então, otimizar o expediente das viagens dos Quatro Cantos com esse expediente!?
    Forte abraço a todos,
    Gionei

    • Ola Gionei
      não entendi bem sua proposta, mas compartilho contigo a vontade de morar fora do Brasil e a Austrália também é nossa escolha

      abs

      Eder

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  6. Mais uma vez parabéns por nos mostrar detalhes de um lugar tão lindo! Amei!

  7. Excelentes dicas….ADOREI !!!!! Um país que visitarei em breve !!! Obrigada !

    • Ola Patrícia
      você vai adorar a Austrália assim como nós.

      mande uma abraço ao Alexandre

      Eder

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