Publicado por: riqlima | 10/06/2012

Nossa Viagem de Volta ao Mundo não Acabou – Minhas Tribos Favoritas – Parte I

 Recentemente escrevi um post sobre os gorilas de Uganda e mencionei a tribo dos Batwa, popularmente conhecidos como pigmeus africanos. Recebi algumas mensagens me perguntando quem são e porque são assim conhecidos. Pois aproveito a oportunidade para escrever sobre essa incrível tribo e outras duas dentre minhas favoritas pelo mundo. Os Masai que encontrei no Quênia e na Tanzânia e os Kayan Lawhi conhecidos pelo alongamento de pescoço das mulheres em Mianmar e na Tailândia são as outras tribos desse primeiro texto. Visitar povos tão antigos como esses é sempre uma experiência fantástica e aprendo e me divirto muito com eles. Para mim o segredo é passar o máximo de tempo possível e não apenas alguns minutos tirando fotos. Conviver por dias, se possível, conversar e realmente se interessar pela vida, cultura e história deles. As dicas para te “humanizar” e se aproximar são: dar presentes, mostrar fotos e contar sobre sua família e vida no Brasil, além de rir sempre. 

Minhas tribos favoritas

Os Batwa que conheci no maravilhoso lago Bunyonyi em Uganda fazem parte de tribos que vivem em florestas equatoriais africanas e apresentam baixo crescimento (em geral menos de 1,5 m) e por isso ficaram conhecidos ao longo dos anos como pigmeus (o termo me parece ofensivo, mas eles mesmo se chamam assim). Caçadores por natureza, foram expulsos pelo governo de florestas que se tornaram reservas ambientais e sem muitas alternativas sobrevivem como podem. Quando turistas os visitam, eles costumam pedir contribuições e pela pobreza em que vivem elas se fazem muito necessárias. O indivíduo mais alto na tribo geralmente é o líder e apesar de pequenos os Batwa tem um coração gigante. Quando os visitei, eu estava com o Nick, um amigo neozeolandês que morava em Uganda e ao invés de levarmos dinheiro, demos de presente um casal de cabras para que eles iniciassem uma criação. Os Batwa não falavam inglês e o swahili deles era básico, mas tentamos como pudemos convencê-los a não fazer churrasco das cabras no dia seguinte. Quem for para lá por favor me conte se os presentes viraram fazenda ou churrasco.

Riq Lima, gigante entre os Batwa

Uma das danças performadas pela tribo

 Os Masai são guerreiros por definição e sua tribo possui quase um milhão de membros espalhados principalmente pelo Quênia e Tanzânia. Estive em contato com eles por mais de duas semanas e fiz amigos de verdade. Geralmente vestidos de vermelho e animistas os Masai tiveram que deixar sua principal atividade, a caça nômade e hoje em dia possuem um estilo de vida mais agrário. Entretanto um homem ainda pode se casar com várias mulheres (desde que tenha condições de mante-las e pague em vacas o dote aos pais da futura esposa) e para ser considerado homem, tem que ser circuncidado sem chorar. E sem anestesia. Pelas leis atuais os Masai não mais assassinam os albinos que nascem em sua aldeia e deixaram de ser obrigados a matar um leão para serem considerados homens na tribo. Ainda bem que certas tradições foram extintas, mas o bom e velho salto Masai continua muito bem, obrigado.

Brincando de pega-pega com crianças Masai

Masai são os guerreiros mais divertidos que existem

Quero ver quem salta mais alto que um Masai

Fugindo do regime militar ditatorial de Mianmar nas últimas décadas (que felizmente vem dando passos positivos em direção a democracia) parte da tribo dos Kayan Lawhi, também conhecidos como Padaung, se exilou no noroeste da Tailândia. E foi em Mae Hong Son que pude passar alguns dias com as divertidíssimas mulheres de pescoço longo, marca registrada da tribo. Símbolo de beleza, desde pequenas elas iniciam o alongamento e são popularmente conhecidas como mulheres-girafas por alguns turistas (também considero esse termo ofensivo). Perguntei a várias delas se não doia colocar e aumentar os anéis no pescoço. A resposta unânime foi que doia as vezes, mas valia a pena.

Dueto com uma mulher da tribo Padaung

Além de alargar o pescoco ainda tem que vender souvenir! Nao é mole não…

Para quem for visitar tribos pelo mundo, o mais importante é respeitar as tradições e cultura deles por mais absurdas que possam te parecer em um primeiro momento. Lembre-se que você viaja para descobrir a REALIDADE dos locais e não para ver o que você imaginava ser verdade. O turismo tem impactos positivos e negativos em todas as situações, portanto seja consciente disso e procure maximizar os positivos e minimizar os negativos. Não tente dar lição de moral as tribos e não se esqueça que eles são humanos e não objetos a serem fotografados. E também não se surpreenda se um Masai tiver telefone celular, se um Batwa estiver usando jeans e uma Kayan Lawhi tocar violão melhor que muito artista famoso, pois perceba que tradições sao mutáveis com o tempo e a realidade deles se adapta de alguma maneira a modernidade. Não julgue se isso é bom ou ruim, apenas faça sua parte e observe…

 Veja Também:

Nossa Viagem de Volta ao Mundo não Acabou – Uganda: Terra de Gorilas e outras maravilhas

As Lendas da Baobab – África

Os desertos da minha vida – Sossusvlei – Parte III


Responses

  1. Muito bacana conhecer as diversidades dessas tribos..depois de ver o que essas mulheres passam para alargar o pescoço nunca mais vou reclamar da depilação..rs…VALEU por dividir com a gente mais “viagem” .

    • É isso ai Edna, cada tribo é uma aula a parte sobre a vida e a realidade em si! E depilacao é realmente fichinha quando comparada ao alongamento de pescoco!

      Bjs
      Riq

  2. Rick

    animal essa experiencia!!!!!

    cara gostaria de pedir um favor, voce poderia fazer um post sobre a gastronomia de alguns países que voce passou? Principalmente na Ásia!!!

    Abraaaços seu doido!!!

    • Mais do que animal Rossen, é uma experiencia humana! É que não tem preco! Farei um post sobre gastronomia no futuro, mas por enquanto você pode acompanhar os excelentes posts do Eder e Fabi sobre o tema (links) ! E já adianto que gastronomia asiática é uma das minhas favoritas! Abs

      Riq

  3. Sempre maravilhosa sua maneira de ver as coisas Riq Besos mil querido

    • Obrigado Erica, sempre procuro ver a realidade, o que é muito dificil quando usamos os mesmos pares de lentes durante a vida toda! O mundo é realmente incrivel… Besos

      Riq

  4. Cada loco con su tema !!!
    Animal slasicha, pena que não deu pra ir… but great days are comming !!

    bjo Doido !!

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  7. Olá. Em janeiro de 2013 estarei iniciando minha viagem de volta ao mundo. É sempre muito dificil encontrar informações sobre a África, Como fazer para ter contato, visitar, passar 1 dia em meio a uma dessas tribos ? Estou pensando em na África, além de Egito e Marrocos, visitar também África do Sul, Moçambique, Tanzania e Uganda. Alguma recomendação sobre onde ir na Tanzania e Uganda?
    Parabéns pelo blog.


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