Publicado por: Eder & Fabi Rezende | 13/05/2012

Amigos de Viagem – Couchsurfing com Isabel, Nico e Paula – Menorca – Espanha

Quem já fez couchsurfing sabe a interação legal que rola entre anfitrião e hóspede. Esta foi só nossa segunda experiência e éramos um pouco crus. Ficávamos meio sem saber como agir e talvez por isso mesmo foi uma das melhores casas que já fomos recebidos. Ao fazer a solicitação para dormir em um sofá na paradisíaca ilha de Menorca na Espanha não tínhamos a menor idéia do que nos esperava. Chegamos de madrugada em um vôo da low cost Spanair e fomos direto para um albergue para não incomodar nossos anfitriões. Mal sabíamos que a comunidade dos surfistas de sofás não tem estas frescuras. Poderíamos ter ido diretamente encontrar Isabel e seus filhos Nico e Paula. Bruno, marido de Isabel estava viajando.

As belas praias de Menorca – Cala Mitjana

Na manhã seguinte finalmente encontramos o pequeno apartamento em um bairro tranqüilo da ilha. Diga-se de passagem é difícil encontrar um lugar que não seja tranqüilo por lá, mesmo caindo de pára-quedas na festa da Verge de Gracia. Como de costume dormimos na sala, mas ao invés de um sofá tivemos uma cama de casal só para nós. E nossa sorte não terminou ai. No mapa a ilha parece do tamanho de um botão, mas só de praia são 220 quilômetros. Sem um carro seria impossível ver de perto as belezas que encontramos na internet. Isabel estava de folga neste dia e a tarde como uma grande família fomos todos a praia em seu carro. Foi ai que o couchsurfing revelou uma de suas facetas mais atraentes para nós: diversidade cultural. Isabel trabalhava no aeroporto na mesma Spanair que viemos, mas só durante a alta temporada de verão. No restante do ano vivia com o dinheiro guardado durante uns quatro meses. Vocês devem estar pensando: o sujo falando do mal lavado. Eder e Fabi largam tudo para ficar mais de um ano sem trabalhar e fazem cara de espanto para pobre Isabel. Na época foi mesmo surpreendente, pois ela tinha dois filhos pequenos, tinha acabado de se mudar de um barco/casa para o apartamento e depois nós pensávamos que nós é que éramos doidões. Pelo menos é o que todo mundo dizia no Brasil.

No caminho até a praia ela perguntou se nos importávamos de conhecer uma praia de nudismo. A Fabi não deixou nem eu abrir a boca e já falou: sem problemas desde que eu não tenha que ficar peladona. E lá fomos nós em nosso mergulho na cultura local. A praia estava meio vazia e havia umas poucas pessoas de meia idade como vieram ao mundo. O que era um mergulho na cultura local virou afogamento quando a própria Isabel tirou sua roupa de praia e ficou de topless. Conversávamos sobre amenidades e ora meus olhos não desgrudavam do par de peitos dela, ora o par de peitos é que não paravam de olhar para mim. Em Barcelona já havia me acostumado a tetas por todos os lados na praia, mas este não era um par de peitos qualquer. Era o par de peitos que nos hospedava. A viagem não havia completado nem um mês e nossas cabeças ainda não estavam tão abertas quanto hoje. Havia apenas uma frestinha por onde a luz ainda lutava para iluminar nossos preconceitos e costumes arraigados. Como não podia guardar meus olhos no bolso, resolvi dar uma volta pela praia. Não, não. Bolso eu tinha, pois não estava pelado. Neste momento fui acompanhado por Nico e Paula. Subimos em umas pedras e lá brincamos de rei da praia. Eu fui declarado rei e eles eram meus súditos. A toalha de banho se tornou meu manto real, o mastro do guarda sol o cetro e as pedras meu trono. E assim se passou toda uma hora. Dizem que crianças só gostam de quem tem bom coração. Se for mesmo verdade tenho um coração do tamanho do mundo.

Rei e seus súditos

Da praia, já devidamente vestidos, fomos diretamente para festa da virgem. Nico e Paula correram para o parque de diversões e se esbaldaram. Os adultos correram para provar as comidas e doces típicos da ilha. O grande momento se aproximava: o desfile e as corridas de cavalos. Primeiro os cavalos e cavaleiros devidamente adornados e em roupa de gala desfilam pelas ruelas da cidade. Depois em pares eles se alinham para corrida. Os organizadores tocam uma sirene para que os expectadores saiam das ruas estreitas e deixem espaço para os cavalos passarem em alta velocidade. Ninguém se move e com a benção da virgem que não quer ninguém machucado no seu aniversário os cavalos em disparada tiram tinta da multidão extasiada.

Primeiro o desfile para homenagear a virgem

Insanidade das carreiras

No dia seguinte a folga de Isabel terminou e nossa carona também. E agora o que fazer? A sugestão dela foi alugar um carro. Se aluguel de carro é caro no Brasil imagine na Europa foi o que pensamos em voz alta. Por outro lado ela com certeza pensou: Estes devem ser quebrados mesmo, além de não pagar hotel, não tem nem 16 euros para diária do carro. Quando nos demos conta da pechincha já estávamos na agência com a chave na mão. Antes de acelerarmos para as praias de águas azul turquesa ouvimos um pedido: Vocês podem voltar mais cedo hoje, pois não tenho com quem deixar as crianças durante o turno da noite no aeroporto? Depois de tanta receptividade e ajuda claro que não a deixamos na mão.

Às seis da tarde ela nos esperava em seu uniforme branco e azul de bolsa a tira colo. Mal chegamos, ela beijou seus filhos e sumiu no horizonte com seu Fiesta. As crianças choravam e gritavam: Mãe fica, não vai embora. Mais uma vez fomos surpreendidos com a ficha que acabava de cair. Ela deixou seus filhos de 9 e 6 anos com dois desconhecidos. Até o choro de Nico e Paula parecia dizer: Você não pode ou não deve nos deixar com dois desconhecidos por tanto tempo. Felizmente os desconhecidos eram gente de bem e ainda entendiam de psicologia infantil. Deixamos os dois chorando na frente da casa por uns quarenta minutos antes de chamá-los para entrar. Depois foram mais quarenta minutos de choro em seus respectivos quartos. Ai é que entrou a psicologia infantil. Paula disse que chorava porque seu irmão também chorava. Convenci Nico a parar de chorar para termos uma noite super divertida e tudo estava resolvido. Cansados de brincar fomos todos para cozinha preparar o jantar, cada vez mais entrosados. Depois da barriga cheia um desenho animado e cama. Reclamações a parte, escovaram seus dentes e dormiram. Lá pela uma da madrugada ouvimos Isabel chegar. No outro dia a surpreendida era ela. Como vocês conseguiram que eles dormissem antes de eu chegar do trabalho? Isso nunca acontece. Nosso trabalho voluntário no orfanato era a chave do sucesso.

Foto de despedida com toda família

Passamos mais dois dias super agradáveis com esta família antes de voltarmos para Barcelona para outra festa mais que especial, mas esta é uma história para um próximo post.

Veja Também:

Amigos de Viagem – Viajando com Jesus e seu díscipulo Sérgio – Eslováquia

Roteiro em Barcelona: Montjuïc

Roteiro em Barcelona: Ciutat Vella – Barri Gòtic, Born e Port Vell


Responses

  1. Olha adoro couchsurfing! No momento prefiro hospedar do que ser hospedada porque sou um pouco chatinha com conforto, mas o fato é que se você não liga para essas frescuras o couch é uma maravilhosa maneira de conhecer a cidade pelos olhos de quem vive nela e ainda fazer maravilhosos amigos. Não esqueça, quem hospeda está super aberto a novas amizades
    Dani Bispo

    • Oi Dani

      é isso mesmo. O mais legal de ser hospedado por um local são as dicas de quem conhece a cidade como ninguém, além das amizades mais que duradouras.

      recomendo muitíssimo

      bjs

      Eder

  2. Excelente Edao, tambem sou fa do couchsurfing e do topless europeu! E to rindo ate agora do guri de cueca na ultima foto! Abs

    • Fala grande Riq

      nosso correspondente preferido. Cara tivemos altas aventuras fazendo couchsurfing. Amigos aos montes também.

      O guri da foto é o Nico, super gente boa, assim como toda sua família.

      valeu demais esta experiência

      abs

      Eder

  3. História belíssima! Por essas e outras que espero sempre ansioso o post de domingo aqui do blog de vocês! Deu até vontade de “experimentar” esse tal de couchsurfing

    • Gleiber

      é por este tipo de mensagem que continuo usando meu precioso tempo do fim de semana para escrever posts. To super feliz de saber que você sempre lê nossos posts.

      Tenta o couchsurfing que você não vai se arrepender

      abs

      Eder

  4. Olá, excelente o site de vcs. Também gosto muito de viajar e estou pensando em me cadastrar no CouchSurfing, porém, tenho uma dúvida: nos países que fazem parte do Acordo Schengen (como é o caso da Espanha), como funciona a comprovação de estadia, a pessoa que vai te hospedar precisa te mandar uma carta convite ou no próprio site do CouchSurfing é possível obter uma comprovação de estadia? Desde já agradeço,

    Marcos

    • Ola Marcos

      ótima pergunta porque nunca havíamos pensado nisso antes. Quando fomos a Madrid já tínhamos um albergue reservado para entrar no aeroporto.

      Com certeza você consegue uma carta por email de seu anfitrião, pois antes do aceite final vocês trocarão algumas mensagens para se conehcer melhor.

      Esta carta pode vir junto com o endereço da casa que ele te enviará, pois no site do CS não há endereços dos anfitriões.

      abraços e bom CS

      Eder

  5. Adorei o texto. Deve ter sido uma experiência fascinante. Bjs

  6. […] Amigos de Viagem – Couchsurfing com Isabel, Nico e Paula – Menorca – Espanha […]

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  8. Olá! Você lembra o nome da agência em que alugou o carro? Pois estou pesquisando, e o mais barato que encontrei foi 40 Euros por dia!

    Obrigada!

  9. […] Amigos de Viagem – Viajando com Jesus e seu díscipulo Sérgio – Eslováquia […]

  10. Adorei o post, mais uma motivação para me inicar no couchsurfing🙂

    • Ola Telma
      tenho certeza que terá experiências tão boas quanto as nossas.

      E fará muitas amizades

      boa sorte

      Eder


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