Publicado por: Eder & Fabi Rezende | 29/09/2013

O Número 2 ao redor do mundo

Para aqueles que pensaram nos números 1, 2, 3, 4 e 5 e lembraram dos combos do Mac Donald´s, lamento informar mas esta contagem só tem os números 1 e 2. Este simples ato comum a toda humanidade tem variações ao redor do mundo que você nem pode imaginar. Qual mão será usada para se limpar? Qual o agente de limpeza a ser usado? Qual o tipo de receptáculo para seu número 2? Se o trabalho é feito coletivamente ou individualmente? Estas são apenas algumas das muitas variações de hábitos que encontramos pelo mundo. Como em toda ação rotineira estas sutis diferenças acabam ilustrando a cultura e peculiaridade de cada povo. Só uma coisa continua invariável: a origem do número 2 é a mesma no mundo inteiro.

Para os mais frescos prometo que não teremos nenhuma imagem nojenta. Abaixo descrevemos o que encontramos e também histórias engraçadas causadas por estas pequenas diferenças culturais.

Número 2 ao redor do mundo

Número 2 ao redor do mundo

Totô nos países árabes

Nosso primeiro contato com as diferenças aconteceu nos países árabes. Estivemos na Tunísia, Marrocos, Egito e Jordânia e em todos eles o modos operandi é mais ou menos o mesmo. A tradicional privada estilo ocidental é substituída pelo que conhecemos como privada turca, um buraco revestido de louça com dois apoios para posicionar os pés. O número dois é feito de cócoras e não sentado. Segundo a Fabi muito mais higiênico, pois restringe o contato com banheiros imundos já que apenas os pés devidamente calçados tocam a louça. Rapidamente me lembro de um amigo tentando usar este tipo de privada em uma viagem pela Tanzânia. No banheiro não havia manual de instruções e portanto ele seguiu sua intuição masculina e que obviamente não deu certo. Ficou meia hora com as calças arreadas, com os joelhos semi flexionados e braços apoiados nas paredes laterais, mas o medo de sujar as calças impedia o número 2 de ganhar a merecida liberdade. Só mais tarde ele intuiu que deveria tirar as calças e permanecer de cócoras.

Te apresentamos a privada turca

Te apresentamos a privada turca

Por lá papel higiênico tem a mesma utilidade que uma máquina de escrever nos dias atuais. Ninguém usa. O agente de limpeza aqui é água. E imediatamente me lembro de outra história engraçada. Estávamos em um albergue em Marrakesh quando ao voltar de um dia de passeios o recepcionista Aziz nos disse que haviam chegado dois “brasilinos” em seu português tosco que havia aprendido conosco. Após o jantar todos se reuniram para bater papo e conhecemos dois estudantes brasileiros que vieram da França para um fim de semana na cidade. Em determinado momento um deles saiu e voltou rapidamente dizendo ao Aziz que não havia papel higiênico no banheiro. Aziz respondeu que lá eles não usam papel higiênico e por isso não encontrou nada no banheiro. O rapaz indignado disse que ele usava e completou: Como é que eu faço agora? Aziz que não perdia a piada, colocou a mão esquerda perto da bunda e fez um movimento de jogar água dizendo: In Morocco, use maroccan way. Foi quando todos caíram na gargalhada, menos o brasileiro que ficou mais branco que o papel higiênico que ele tanto queria. Percebendo o desespero do rapaz, resolvi ajudar. Emprestei meu papel higiênico para ele e fiz duas recomendações: 1) economize, pois isto é artigo raro aqui e 2) amanhã de manhã vá a um mercado internacional e compre o seu.

Além da diferença de usarem água, esta ainda pode ser acondicionada de diversas maneiras. Os mais sofisticados que dispõe de água corrente usam um chuveirinho como na foto abaixo. Aqui me recordo de outra história. Tinha acabado de chegar ao aeroporto de Amã na Jordânia e fui ao banheiro para o número 1. Na cabine ao lado ouvia o barulho de água abundante: slap, slap, slap. Alguém se lavando ao estilo árabe após o número 2. O cara deixou o banheiro com o terno impecável, sem uma ruga. Deixei ele sair e fui conferir que a cabine com privada turca estava molhada por todos os lados. Mas como ele saiu ileso sem uma gota de água na roupa? Deve ser a prática.

Chuveirinho

Chuveirinho

Quem não tem o luxo da água corrente, usa uma caneca com água que fica armazenada em um balde ou tambor. Na Tunísia vimos um bule gigante com água para as pessoas se lavarem depois do seu número 2. O difícil foi imaginar como operar aquele trambolho. No Egito conhecemos outra variação do uso da água. Um cano fino fica fixado na altura da bunda, basta ligar a água e se lavar. O problema para nós, ocidentais, é errar a mira e mandar a bomba bem em cima do caninho.

caneca com água do balde

caneca com água do balde

ou caninho

ou caninho

Para quem ficou com dúvidas temos o procedimento detalhado logo abaixo com direito a sotaque indiano. Hilário.

Os países árabes são mesmo uma fonte inesgotável de diferenças quando o assunto é o número 2. Todos aprendem desde criança que a mão esquerda deve ser usada exclusivamente para se limpar e a direita para pegar a comida (eles não usam talheres) e cumprimentar as pessoas. Canhoto deve sofrer. Tem que aprender a fazer tudo com a mão direita. Outra história curiosa para ilustrar a situação. Um amigo brasileiro convidado para uma festa em uma caravana no deserto egípcio. A festa seguia com música, dança e muita animação até que o sujeito canhoto seguindo a tradição local pegou a comida com a mão, só que a esquerda. A música cessou na hora, todos pararam de dançar e se viraram assustados na direção do brasileiro. Este foi socorrido pelo seu amigo egípcio que explicou a comunidade se tratar de um estrangeiro que não conhecia toda a “mística” da mão esquerda e logo a festa voltou ao normal. Por sorte foi só um susto.

Totô na Índia

Na Índia os costumes relacionados com o número 2 são bem parecidos com os dos países árabes. Eles também usam a tal privada turca, usam água para se limpar e sempre com a mão esquerda. Mas aqui introduzimos uma nova variante. Mesmo em locais onde a água é escassa eles não aderem ao papel higiênico. Usam a mão esquerda para se limpar e a higienização da mão é feita esfregando-a em areia ou cinzas. Tem até uma caixinha de areia posicionada ao lado da privada turca.

Caixa com cinzas ao lado da privada turca. Vai encarar?

Caixa com cinzas ao lado da privada turca. Vai encarar?

Totô na China

A China é o único país que conheço que institucionalizou o totô coletivo. O que para nós ocidentais é um momento de relaxamento e auto análise quando todos sem exceções querem permanecer sós e em silêncio, na China nem nesta hora sagrada você consegue sossego. Muito provavelmente você será obrigado a escutar o hum, hum do chinês ao lado fazendo força para se livrar do peso indesejado. Este costume um tanto bizarro tem uma explicação. Primeiro porque quem já foi a China sabe que é impossível ficar sozinho em qualquer lugar que não seja o quarto do seu hotel. A população é a maior do mundo e faz séculos que eles vivem em hutongs. Hutongs são casas muito pequenas onde vivem muitas famílias que tem que compartilhar cozinha e banheiro. Imaginem alguém com muita vontade de ir ao banheiro ter que esperar por todos a sua frente na fila. Acho que foi dai que nasceu esta intimidade forçada entre os chineses.

Uma privada a lado da outra sem nenhuma privacidade

Uma privada a lado da outra sem nenhuma privacidade

Totô na Tailândia

Na Tailândia conhecemos um método bem diferente para economizar no custo de fraldas para crianças. Principalmente em áreas rurais as crianças não usam fraldas. Suas roupas tem uma abertura nos fundilhos e na hora que dá vontade eles simplesmente abaixam e fazem suas necessidades onde estiverem. Esta prática é muito difundida em toda Ásia.

Deu vontade é só abaixar

Deu vontade é só abaixar

Totô no Japão

Que o Japão exporta tecnologia para o mundo todos já sabem, mas nunca imaginei que eles também tem tecnologia de ponta para o número 2. Ao contrário da maioria dos asiáticos eles já adotaram a privada no estilo ocidental, mas não é qualquer privada, tem até painel de controle. Se estiver frio a privada tem aquecimento no assento. Seu totô está cheirando muito mal, tem odorizador para aliviar o odor. Se quiser usar papel eles tem, mas se a preferência for pela água eles oferecem algo parecido com o que encontramos no Egito mas muito melhor. Aqui o cano que joga água na bunda é retrátil, ou seja, nenhum perigo de sujá-lo com totô. Você pode escolher entre um simples spray de água ou um jato como de um bidet, ambas as opções ainda contemplam regulagem da pressão da água. É a ciência trabalhando em prol da humanidade.

Para terminar cito a Teoria do papel higiênico elaborada pelo meu amigo Ricardo Lima que também viajou pelo mundo. Em países ricos papel higiênico é jogado no vaso sanitário, em países medianos ele é jogado no lixo e em países pobres ele nem é usado.

Veja Também:

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Responses

  1. Super didático este post!!! Divertido e porque não esclarecedor…rs Só viajando para percebermos as diferenças culturais que marcam as pessoas. Muito legal!

    • Oi Lu
      viajar é a ciência de encontrar o novo, o diferente, o inusitado. Seguimos estudando para um dia sermos doutores desta ciência.

      bjs

      Eder

  2. Cara, eu ri muito hahahahahha Muito bom!!!

    • Rafael
      as diferenças sempre geram boas risadas e o viva o bom humor.

      abs

      Eder

      • Mas essas foram fantásticas rs O vídeo do indiano ensinando como limpar a bunda é impagável rs E a calça pras crianças? hahaha Boa!!!

      • Valeu Rafael

        abs

  3. Muito medo de ir pra China! Hihihihi
    Se já não fico à vontade em banheiros estranhos, imagina com cia!!

    • Andreza
      os banheiros coletivos são restritos aos hutongs, pode ficar tranquila que no seu hotel você terá paz e sossego além de um privada em estilo ocidental, a não ser que se aventure pelo interior do país, ai é outra história.

      boa viagem

      Eder

  4. Já providenciei uma calça com ventilação traseira pra levar pra Bangkok. Let’s do it local style!

    • Cara
      eu pagava um milhão para te ver caminhando na Khaosan com esta calça. Juro mesmo

      boa viagem

      Eder

      • Fechado! Depois te mando as fotos e o número da conta.

      • Esperando as fotos e a conta corrente. Principalmente as fotos.

  5. […] & Fabi Rezende, do blog Quatro Cantos do Mundo, fizeram um post deveras didático, entitulado O Número 2 pelo Mundo. Sim, é exatamente o que parece: como são os hábitos da prática tão natural do ser humano e os […]

  6. Andando de site em site, encontrei este seu post hilário (rsrsrs) e também este aqui: http://www.mulherviajante.com.br/article/banheiros-do-mundo

    Tem gente que se dedica a isso no mundo, já viu!!!!! Loooll!!

    Um abraço, parabéns pelo site!

    • Olá Regina
      bem legal a matéria das meninas. O mundo tem cada diferença que realmente merece ser registrada.

      continue nos acompanhando.

      abs
      Eder

  7. […] O Número 2 ao redor do mundo […]

  8. […] O Número 2 ao redor do mundo […]

  9. […] talhares e comem com as mãos, hábito idêntico ao da África subsariana. Conforme citado no post O Número 2 ao redor do mundo nesta região eles usam a mão direita para comer e a mão esquerda para se […]

  10. Exxxxcelente a Matéria.
    Exxxxcelente seu Blog.

    Parabéns.
    Assim deveria ser a WWW.
    _ Interessante.
    _ Instigante.
    _ Inteligente.

    Valeu.

    • Olá Sandro
      valeu pelo elogio, isso nos deixa ainda mais motivados para escrever nossos posts.

      Continue nos acompanhando.

      abs

      Eder

  11. Totô coletivo?! Acho que não dá nem em caso de intoxicação alimentar. Vixe Maria!
    Adorei a solução para o número dois das crianças da Tailândia. Quanta economia.
    E adorei o post também.

    • Ola Elaine
      deve ser difícil mesmo se concentrar tendo alguém olhando para sua cara, mas cada um com seus costumes né?

      bjs

      Eder

  12. […] O Número 2 ao redor do mundo […]

  13. […] O Número 2 ao redor do mundo […]

  14. […] O motorhome tem até privada no estilo ocidental com vaso sanitário, tampa, descarga e tudo mais. Só que o banheiro é químico, pois obviamente seu veículo não está conectado a rede de esgoto. Todo seu número 1 e 2 (black water) vai para um caixa de plástico com capacidade de cinco litros. Quando a caixa enche você é responsável por esvaziá-la em local apropriado para receber descarte de esgoto químico. Na maioria das vezes os campings tem locais de descarte. Isso pode ser uma baita desvantagem caso você seja mais sensível ao que podemos dizer no popular; fazer o trabalho sujo. Mas poderia ser pior. Veja como se faz o número 2 ao redor do mundo. […]

  15. […] O Número 2 ao redor do mundo […]

  16. […] O Número 2 ao redor do mundo […]

  17. […] com a mão esquerda. Para quem ficou curioso e quiser se aprofundar sobre o tema basta ler o post O Número 2 ao redor do mundo. Vocês irão rir de […]

  18. Muito bom! Me diverti. Mas fiquei com certo receio tb de encarar… rsrs
    E eu achando que o banheiro seco no deserto de Uyuni e do Atacama era brabeira… rsrs Tem coisa pior!
    Parabéns pelo post! Bj

    • Ola Cris

      sempre tem coisa pior, quando você acha que já viu de tudo sempre aparece algo novo para te surpreender.

      grande abraço

      Eder

  19. Tem muito brasileiro que usa duchinha sem papel higiênico ou o usa apenas para se enxugar e não se limpar…

  20. […] Ainda na seara do número 2. O assunto dá pano para manga. Em alguns países árabes e asiáticos eles usam a mão esquerda para se limpar. É mão, água e mais nada. Assim esta mão é dedicada apenas para este fim, portanto você que é canhoto nunca cumprimente ninguém com esta mão nos países citados. Nos mesmos países as pessoas não tem o hábito de usar talheres para comer e mais uma vez não cometa uma mega gafe de tocar com a mão esquerda a comida que geralmente é compartilhada por todos da mesma travessa. Se quiser saber mais sobre como as pessoas usam os banheiros ao redor do mundo clique: O número 2 ao redor do mundo. […]

  21. No Japão tb rola as privadas de chão, mas tem uma “cuia” na frente. Acho até prático quando comparada a privada turca! RS mas lá rola o papel higiênico RS muito esclarecedor seu post! Hahahahahahahahaa

  22. […] O Número 2 ao redor do mundo […]

  23. Que povo nojento esses árabes!

    • Ola Regina

      são costumes diferentes. Eles também acham estranhos nós nos cumprimentarmos com beijos.

      valeu pela mensagem

      Eder

  24. Adorei! Muito útil, estou na Índia e fiquei sem saber como fazer, obrigada de coração pela ajuda e pelas risadas lendo essas curiosidades e o comentários.


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